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EDP quer fazer um dos maiores parques naturais no Nordeste Transmontano mas autarcas estão contra

EDP quer fazer um dos maiores parques naturais no Nordeste Transmontano mas autarcas estão contra
  • 20 de Julho de 2010, 10:39

António Ferreira da Costa, administrador da EDP Produção, revelou ontem, durante a visita dos eurodeputados do PS Ana Gomes e Correia de Campos às obras da barragem do Baixo Sabor, que a ideia já foi discutida com o Ministério do Ambiente.

 

O objectivo seria aproveitar o dinheiro de um fundo de preservação ambiental estipulado no caderno de encargos das duas barragens e que ascende a cerca de 800 mil a um milhão de euros anuais. No caso do Baixo Sabor prolonga-se por 75 anos, 65 na barragem de Foz Tua.

 

“Esse parque natural pode ser a entidade que agregará tudo o que for compromissos ambientais quer do Sabor quer do Foz Tua, será gerido por uma associação de desenvolvimento regional e não pela EDP. Terá receitas desse fundo, das compensações que durante os 75 anos do Baixo Sabor ou 65 do Tua, parte delas podem ser para ambiente e outras para desenvolvimento regional.”

 

Este seria um dos três maiores parques naturais do país. Ferreira da Costa garante que já tem o aval das associações de municípios abrangidas pelas duas barragens.

  “Ouvimos os municípios, antes de apresentarmos a ideia. Recebemos por parte da associação de municípios do Baixo Sabor a concordância. Seria o segundo ou terceiro maior Parque Nacional e claramente autosustentável.”

Mas é o próprio presidente da Associação de Municípios do Baixo Sabor a mostrar-se contra esta ideia.

 

 “É uma ideia que não tem pés nem cabeça”, defende Aires Ferreira, autarca de Torre de Moncorvo. “Primeiro, não há contiguidade geográfica. Segundo, são realidades diferentes. A biodiversidade do Sabor é muto mais interessante do que a do Tua. E não há nenhum Parque que começa num sítio e depois pára e recomeça mais à frente. Não faz o mínimo sentido”, sentencia.

 

Também a presidente da câmara de Alfândega da Fé, Berta Nunes, se mostra desagradada com a ideia de criar um parque conjunto com Foz Tua.

 

 “Não me parece muito bem. No caso do Sabor o fundo ambiental vai ser gerido localmente. No caso do Tua, será pertença do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade. Não sei como se iriam compatibilizar as duas situações. E não vejo nenhuma vantagem.”

 

Contactado pela Brigantia, José Silvano, presidente da câmara de Mirandela, um dos concelhos afectados pela barragem de Foz Tua, escusou-se a comentar o assunto, por entender que a decisão de construção da barragem ainda não é efectiva.

 No entanto, a EDP espera começar os trabalhos ainda no decorrer deste ano.

Por sua vez, as obras da barragem do Baixo Sabor já começaram em 2008. Por isso, no final deste ano, a EDP já terá depositado cerca de um milhão de euros neste fundo que, contudo, ainda não tem uma fórmula de gestão.

 

Uma gestão que no caso de Foz Tua ficou a cargo do ICNB, algo com que nem a própria EDP parece concordar e que Aires Ferreira critica duramente, pois entende que aqueles que acusaram as barragens de crime ambiental, não devem agora retirar dividendos disso.

Escrito por Brigantia

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