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Teimosias de João Ferreira no Museu do Abade de Baçal

Teimosias de João Ferreira no Museu do Abade de Baçal
  • 5 de Agosto de 2010, 09:57

Nos trabalhos utilizou materiais autóctones com predomínio da Nogueira, Castanho e Olmo. Este aspecto caracteriza a obra plástica de João Ferreira, um artista natural de Bragança, e é intensificado ao longo de todo o processo criativo, que se inicia na escolha da árvore, no posterior corte e secagem da peça de madeira, finalmente no talhe directo do objecto, retomando assim uma concepção quase mítica da prática artística.
Nesta atitude persiste o eco das linguagens criativas com que o autor
se foi cruzando, desde o forte carácter transmontano, à experiência
nas Ilhas Bijagós com mestres de escultura ritual animista. O artista, que se dedica sobretudo à escultura em madeira, continua a prosseguir na construção de uma linguagem própria com obras que nos confrontam com figurações animais, femininas e criaturas estranhas, perturbadoras composições que registam a “teimosia” do autor nos materiais fortes e na linguagem intensamente plástica.
A madeira, sempre em peça única, domina e intervém como elemento
estruturante do objecto escultórico final. É a madeira que amacia,
que conforta os metais corrompidos, assumindo a voluptuosidade do
corpo vivo, a palpitação biomórfica que as obras nos evocam.
Os metais usados são materiais desprezados, velhos, frutos da
sociedade de consumo rápido e sôfrego. São partes outrora integradas
em máquinas agrícolas que por serem obsoletas desarticulam-se
em abandono, reflectindo o afastamento observável em todo Trás-os-
Montes, que o autor “teima” em questionar.

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