“Impactos da barragem do Tua são brutais”
O partido ecologias ‘Os Verdes’ Denunciaram em Bragança, na passada quinta-feira, 12, que os estudos apresentados pela EDP no quadro da segunda fase da Avaliação de Impacte Ambiental (pós-avaliação) “são a prova cabal de que os impactos são reais e muito mais profundos do que era previsível, nomeadamente sobre a biodiversidade e o património”.
Durante uma conferência de imprensa realizada na antiga estação da CP, em Bragança, agora transformada em terminal rodoviário, os dirigentes daquele partido denunciaram que as condicionantes
impostas pela Declaração de Impacto Ambiental (DIA) ao projecto de construção da barragem de Foz Tua, assim como as 50 medidas exigidas em fase de RECAP, para além das monitorizações e medidas compensatórias são a prova de que o EIA (Estudo de Impacte Ambiental) apresentado pela EDP e que deu origem à Declaração de Impacte Ambiental Favorável Condicionada “deixou muito por estudar e muito por conhecer”, frisou Manuela Cunha, dirigente de ‘Os Verdes’.
Aquela força partidária já tinha alertado na sua participação na primeira fase de Consulta Pública que “os impactos negativos eram muito superiores ao apontados e avaliados”.
Entre os impactos negativos mais relevantes destacam as consequências sobre a biodiversidade, uma vez que a barragem vai eliminar 93,6% de uma espécie, uma riqueza biológica que dizem se deve em parte à existência da Linha Férrea do Tua, “que desempenha um papel de corredor ecológico e de dispersor da flora e da fauna terrestre”, sublinhou Manuela Cunha.
Também os impactos sobre a mobilidade serão “grandes”, porque, segundo ‘Os Verdes’ “não são propostas funcionais, são pouco sérias e na sua grande maioria surrealistas e não exequíveis”, explicou a dirigente. A solução final proposta pela EDP contempla uma resposta dupla, com uma versão para turistas e para passageiros/residentes. A primeira incluiu viagens de comboio/Douro, mais autocarro, mais barco e mais comboio/Tua. A versão para passageiros/residentes tem tudo aquilo mais viagens de táxi. “Isto são propostas inaceitáveis que não cumprem a equivalência funcional do troço ferroviário da Linha do Tua”, sustentaram.
A construção do empreendimento terá grandes impactos sobre a paisagem do Alto Douro Vinhateiro, classificado como património mundial da humanidade e na linha ferroviária do Tua. “Parte das instalações da barragem, nomeadamente três edifícios da central eléctrica, um deles com 75 metros de cumprimento e 25 metros de altura, o equivalente a um prédio de seis andares, ficarão localizados em plena paisagem do Alto Douro Vinhateiro”. ‘Os Verdes’ temem que a UNESCO retire a classificação de Património da Humanidade ao Alto Douro Vinhateiro.
G.L.