Obras no museu judaico arrancam
A aldeia de Carção, no concelho de Vimioso, vai ter um museu judaico, que pretende reactivar as tradições desta comunidade.
As obras de recuperação de uma casa em ruínas, com traça judaica, deverão arrancar entre os finais de Setembro e início de Outubro.
O projecto, da responsabilidade da Associação Cultural dos Almocreves de Carção, com o apoio da Junta de Freguesia de Carção e da Câmara Municipal de Vimioso, representa um investimento de 80 mil euros e é financiado, em 70 por cento, pelo PRODER.
O presidente da associação, Paulo Lopes, realça a importância desta infra-estrutura para dignificar a capital do Marranismo. “ Temos uma rota formada, em que cada canto tem uma história judaica para contarmos. No entanto, falta-nos um espaço para podermos mostrar alguns objectos”, enaltece o responsável.
O objectivo é cativar turistas através da Rota Marrana. “Já há grupos de pessoas do Porto, de Lisboa e, até, de Espanha que vêm a Carção. Está, agora, planeada a rota Londres- Porto- Bragança – Carção. Por isso, este espaço é fundamental”, garante Paulo Lopes.
Tradições judaicas vão ser recriadas com a recuperação de pontos marcantes na aldeia
Ainda antes de iniciar os trabalhos, a associação já conseguiu reunir algumas peças ligadas às tradições judaicas. “Já temos uma medalha com imagens judaicas, uma menorá, os cruciformes e, na aldeia, até temos o retábulo das almas, em que a boca do inferno era usada como forma de amedrontar os judeus”, sustenta o presidente da colectividade.
O museu vai nascer na praça central da aldeia, o local onde morava grande parte da comunidade judaica.
Na óptica do presidente da Junta de Freguesia de Carção, António Santos, este equipamento vai ser o ex-libris da freguesia. “ O museu vai compilar toda a história da tradição judaica. Vai ser o elo de ligação entre todos, porque Carção sempre foi uma terra de judeus. As pessoas vão rever-se naquilo que vão ver no museu”, realça o autarca.
Com o avanço das obras, que deverão estar concluídas dentro de dois anos, as doações de espólio vão aumentar. “O proprietário da sinagoga já confirmou que vai oferecer o espaço, desde que seja para recuperar para a mesma função”, garante António Santos.