Parque de Montesinho criado há 31 anos
Criado há 31 anos o Parque Natural de Montesinho, integra cerca de 90 aldeias dos concelhos de Bragança e Vinhais. Ao todo são mais de 75 mil hectares de território considerado um santuário de biodiversidade. Longo destas três décadas a relação entre o parque e a população não tem sido pacífica, muitas vezes os que lá vivem consideram que os modelos de gestão não são os correctos. O primeiro director da área protegida, Dionísio Gonçalves, professor jubilado e ex-presidente do Instituto Politécnico de Bragança, lembrou na cerimónia do aniversário, realizada esta segunda-feira, 30, que são as pessoas que fazem o parque. “São os construtores do parque, mas depois há uma equipa que trata da burocracia, sob o ponto de vista técnico e chama especialistas para resolver questões na área do parque”, explicou.
Dionísio Gonçalves considera que as “decisões são dos que lá vivem”, e que as divergências entre a população e os órgãos de gestão do parque têm de ser resolvidas encontrando pontos de entendimento.
O Montesinho tem ainda muito para explorar em termos de recursos naturais e no Turismo da Natureza. “O que há para explorar é uma riqueza natural, com toda a biodiversidade que ela encerra, cada visitante vem ver aquilo que quer ver, observar veados, tentar ver um lobo ao natural, ver uma paisagem equilibrada com prados permanentes e rios, flora rípicola ou até a etnografia”, enumerou Dionísio Gonçalves. O potencial não está completamente aproveitado. “Já há casas de turismo de habitação, alguns equipamentos do próprio parque, a área chama turistas de fora, mas os serviços do parque têm de arranjar melhor forma de divulgar estes valores”, acrescentou.
Fixar população com subsídios
Em três décadas a área protegida ainda não conseguiu ter uma sede digna desse nome. Actualmente os serviços do parque, em Bragança, dividem-se por dois edifícios. Várias vezes houve intenção de construir um imóvel, mas os projectos ficaram sempre pelo caminho. Uma situação lamentada pelo o primeiro director do Montesinho, um dos homens a quem se deve a criação da área protegida. “É um dos projectos mais importantes para o turista, porque é onde o visitante vai primeiro para ver o que pode visitar e o que existe, para depois de uma forma orientada ir passear pelo parque”, sustentou Dionísio Gonçalves.
As aldeias do Montesinho perderam muita população. Dionísio Gonçalves defende a atribuição de subsídios formas de compensação aos residentes para fixar gente e para atrair jovens.
O Parque Natural de Montesinho tem desde Junho um novo director adjunto, um cargo ocupado por Vitório Martins. “O que vai alterar a ideia que as pessoas têm de afastamento”, frisou, Magido Domingos, responsável do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB). Outro objectivo da nova direcção passa por estabelecer pontes e ligações com os residentes. “Queremos recuperar as relações com as populações locais, e mantê-las informadas, pedir a sua colaboração na gestão e manter o diálogo com as instituições”.
G.L: