Produção de mel mais profissionalizada
Na zona abrangida pela Associação de Apicultores do Parque Natural de Montesinho (AAPNM) o número de produtores que fazem da apicultura um hobby está a diminuir. Apesar de se registar um decréscimo no número de produtores, as explorações aumentaram, actualmente cada unidade tem 50 colmeias em média. “O maneio é muito exigente e a actividade já não se compadece com pessoas que não a tenham como actividade a tempo inteiro, porque é necessário fazer muitas visitas”, referiu Manuel Gonçalves, responsável da associação. A actividade está a profissionalizar-se. Na região Norte estão em marcha candidaturas a projectos para cerca de 200 mil colmeias.
A produção apícola é uma actividade rentável. O preço do mel subiu, o acesso ao mercado é melhor, a implementação de marcas está a verificar-se de dia para dia. “É uma actividade económica sustentável”, acrescentou.
Há 30 anos quando a associação foi criada o consumo de mel per capita era de 200 gramas, agora é de 430 gramas a nível nacional.
A componente apícola já mantém muitas casas agrícolas da região. No âmbito da associação há 12 quadros superiores que têm projectos de investimentos de grande dimensão, quadro deles já estão aprovados e em fase de implementação.
Mas apostar na apicultura exige um investimento significativo, a instalação de cada colmeia custa cerca de 150 euros. “Custa mais do que uma ovelha”, compara Manuel Gonçalves. Uma colmeia pode ter uma rentabilidade de 18 quilogramas de mel, mais um quilograma de cera, acrescidos de 15 euros por colmeia com os apoios à produção. “Hoje é possível viver bem com a rentabilidade de 300 colmeias”, assegura o responsável. Dois estudos realizados no âmbito da associação compararam a rentabilidade de um apicultor com 25 colmeias e outro com 350. O primeiro se vender directamente ao consumidor consegue uma média de três mil euros por ano. O produtor maior pode conseguir 1200 euros mensais, após a dedução de todas as amortizações. “Não é por acaso que muitos desempregados apostam nesta área e investem, mas o caminho a seguir é sempre a valorização e a diversificação”, recomenda Manuel Gonçalves.
Produção cai 50 por cento nas zonas baixas e aumenta na zona de montanha
A produção de mel na área de Trás-os-Montes sofreu este ano quebras de 50% nas zonas baixas, onde se produz mel de rosmaninho. Na zona de Montanha registou-se um aumento. Mas tudo indica que as quebras das zonas baixas poderão se compensadas pela maior rentabilidade da montanha. Ainda assim a Associação de Apicultores esteja com dificuldades em assumir os compromissos do mel de rosmaninho. “As geadas de meados de Maio afectaram as zonas abaixo dos 400 metros, quando a floração estava em pleno”, explicou Manuel Gonçalves. Um produtor com 400 colmeias na zona do mel de rosmaninho, com uma produção anual de cinco ou seis toneladas de mel, pode ficar este ano pelos 1500 quilogramas. A produção média anual do Montesinho na última década ronda as 200 toneladas de mel certificado.
Outra aposta é no mel biológico, por se tratar de uma mais valia. Este tipo de mel tem uma valorização de 30% comparativamente ao produto corrente. “Está a criar-se um novo mercado, apesar se ser muito lento. Os custos de produção são maiores”, referiu o dirigente associativo, que defende que o caminho é este. “Para bem da apicultura, das abelhas e da região é o modo de produção biológica, e para o consumidor que tem mais uma certificação”, disse.
O mercado biológico é difícil, o mel da região é procurado por consumidores da Alemanha e França. A associação já produz 26 toneladas de mel biológico. “É pouco, mas trabalhamos com as três maiores casas de distribuição de produtos biológicos do país, mais duas na Alemanha e uma em França, mas a rotação do produto é muito lenta”, adianta Manuel Gonçalves. Cerca de 5 mil quilogramas de mel por ano são para o mercado de Lisboa. “Neste momento não há mel para a quantidade que é procurada”, frisou.
Glória Lopes