Cultura debatida em Balsamão
O centenário da I República e a Expulsão das Ordens e Congregações Religiosas foi o mote para as XIII Jornadas Culturais de Balsamão, que terminaram anteontem, em Macedo de Cavaleiros.
O bispo da diocese de Bragança-Miranda, D. António Montes Moreira, que, na passada sexta-feira, proferiu uma palestra sobre “A lei da separação da Igreja e do Estado”, referiu que o evento “é uma excelente iniciativa da parte da comunidade, que não se dedica, apenas, a actividades espirituais.
O prelado considera que as jornadas têm vindo a granjear uma importância crescente na região, pois são debatidos temas de interesse regional e nacional. “Não são só religiosos, têm interesse cultural e social”, acrescentou.
D. António Montes destacou a lei da separação entre a Igreja e o Estado, justificando que as concordatas, nomeadamente a de 1950, têm como finalidade resolver os problemas da separação entre as duas instituições. “Problemas de ordem eclesiástica, de ensino, casamento são temas que interessam à vertente civil e à vertente religiosa e têm sido tratados nas concordatas, que são, apenas, uma forma de regular os assuntos”, referiu.
Bispo de Bragança- Miranda considera que não houve entendimento entre a Igreja e o Estado sobre o casamento homossexual
Sobre a necessidade de haver uma fronteira bem delimitada entre a Igreja e o Estado, D. António Montes justificou que não se trata de discutir poderes. “São serviços que a Igreja e o Estado prestam à comunidade. Como há matérias que têm as duas vertentes é preciso um entendimento, como o casamento, a educação, os hospitais, as cadeias e as forças armadas”.
O casamento entre homossexuais foi um dos temas que, este ano, gerou mais polémica na sociedade portuguesa, uma vez que a Igreja e o Estado não conseguiram arranjar uma plataforma de entendimento. “É uma mudança radical, ao contrário do que ao longo do milénio sempre se considerou, mas não é um problema de conflito entre a Igreja e o Estado. É um problema de saber se está correcto chamar casamento a essa forma de união. Acho que é uma solução desajustada”, afirmou o prelado.
Para D. António Montes havia outras hipóteses para resolver a questão, pelo que considera que “é um sofisma dizer que é uma questão de discriminação, pois isto só acontece quando são situações iguais e se adoptam soluções diferentes, o que não é o caso”.
Glória Lopes