Pombal ganha vida com o teatro de Verão
Esta é a aldeia conhecida pelo teatro. Há 13 anos que todos os Verões, em Agosto, se realiza o Festival de Artes de Pombal de Ansiães (FARPA). Por esta altura ninguém tem mãos a medir para acorrer às solicitações de tantos turistas que se alojam na localidade para assistir aos espectáculos. Os actores das companhias que participam no evento também dão outra vida a Pombal, no concelho de Carrazeda de Ansiães.
O teatro tem tradições em Pombal. As representações remontam já ao início do século XX. Em 1927 fez-se ali a representação da peça “Agostinho de Ceuta”, por um grupo numeroso de actores orientado por António Areias e integrados no “Clube Ancianista”, uma colectividade precursora da Associação Cultural e Recreativa de Pombal de Ansiães (ARCPA). Em 1951/52 foi fundado o Centro de Instrução e Recreio de Pombal de Ansiães, também vocacionado para o teatro e liderado por Mário Lima. Desde aí, o volume de representações foi grande e consta na freguesia que mais não houve por falta de espaço adequado. Em finais dos anos 60 foram representadas várias peças “Dois Jovens Cativos”, “Ressonar sem Dormir”, orientados por António Garcia e Carlos Fernandes. Em 1975, mais concretamente no dia 18 de Setembro, nasce oficialmente a ARCPA, pelas mãos de António Garcia e Carlos Fernandes, e muitos outros pombalenses. Em 1985 foi inaugurada a nova sede da ARCPA e as actividades de teatro foram-se mantendo e crescendo.
Despovoamento e falta de emprego caracterizam esta freguesia do concelho de Carrazeda
Mas como é Pombal o resto do ano? Para além do inegável dinamismo da Associação Cultural e Recreativa de Pombal de Ansiães, que mantém o café da aldeia aberto todos os dias, é uma aldeia como as restantes do distrito. Onde todos se queixam de que há pouca população, onde se lastima que não existam empregos que ajudem a fixar os jovens. “São obrigados a partir para outras terras em busca de vida”, diz quem lá vive. “No verão há muita gente, vêm ao FARPA, vêm de Lisboa e do Algarve. Agora foram-se todos”, reforça Luís Lopes.
Os residentes consideram que era fundamental criar postos de trabalho na localidade ou na sede de concelho. “Para o pessoal poder ficar aqui pelas aldeias. Há tanto pomar no concelho, há uma indústria de maçã e os restos da maçã são vendidos aos espanhóis, sei lá até podiam criar uma linha para fazer sumos aqui, poderia dar emprego a muita gente”, acrescentou o residente.
Mas Pombal é localidade que merece uma vista mais atenta e demorada. Dispõe de uma unidade de turismo rural, bem como de vários pontos de interesse patrimonial e histórico, nomeadamente a Calçada Medieval, em muito bom estado de conservação, a poucos quilómetros da aldeia, ou ainda as Caldas de São Lourenço, com águas famosas e termais que curam doenças de reumatismo ou de pele.
Encaixada entre os vinhedos do Douro, muito próximo do vale do Tua, e da linha de comboio, Pombal tem riquezas naturais apreciáveis, como o Monte das Caldas, o Franzilhal / Gavião, com elevações e encostas declivosas.
Glória Lopes