Agricultores esperam subsídios há três anos
Os atrasos no pagamento dos fundos já têm três anos. “Há problemas gravíssimos que se passam na agricultura de montanha, como é o caso do Douro, uma zona que é tida como muito rica, mas que está a atravessar um momento extraordinariamente difícil de ordem financeira por falta de apoio e de atenção”, denunciou o dirigente associativo.
Segundo o responsável, “é urgente fazer-se a revisão do CIPAC, que já está em curso, mas não está terminada, como é o caso dos seguros aos agricultores”. No entanto, foi constituído um grupo de trabalho para alterar o actual sistema de seguros. A primeira fase está concluída, a equipa já apresentou o relatório que está a ser analisado pelo ministro da Agricultura e pelas organizações de associações de agricultores. Na sequência deste estudo prevê-se que a partir do próximo ano a situação seja alterada e a pouca utilização dos seguros por parte dos agricultores possa mudar devido à maior facilidade de acesso.
Actualmente está em desenvolvimento um programa específico com apoios financeiros para os agricultores da zona de montanha, nomeadamente os que trabalham na área do pastoreio. “Todas as situações estão globalmente atrasadas por causa do atraso do PRODER. Há três anos que aguardamos o início dos investimentos”, referiu Abreu Lima.
O programa está a dar os primeiros passos, um sinal de esperança para o responsável da CAP. “Estamos a recuperar tempo perdido, pode ser que este ano em seja possível recuperar o tempo que já passou relativamente aos financiamentos e apoios”, vaticinou.
Todas as situações estão globalmente atrasadas por causa do atraso do PRODER
Também o presidente da Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes (AOTAD), António Branco, defende que é preciso um diferenciamento na atribuição de subsídios a estas regiões. Daí a sua insistência para que a agricultura seja considerada como um bem público. “É uma região onde convivem vários tipos de culturas, diferentes dimensões nas explorações, e estamos preocupados”, admitiu.
No dia 7 de Setembro foi ainda assinado um protocolo de concentração de várias associações da região, como a AOTAD e a APITAD, com o objectivo de “rentabilizar o investimento que tem sido feito e melhorar o serviço aos associados”, explicou António Branco.
O dirigente defende que a agricultura tem de começar a ser vista com uma perspectiva diferente. As associações “têm de dar o exemplo”, esta é a opinião generalizada dos responsáveis das associações.
Glória Lopes