Javalis arrasam vinha na Gestosa
“Está tudo estragado. A vinha não tem uma uva sequer. Não se aproveita nada de nada. Foi uma razia completa”, explicou Manuel dos Santos Vaz ao Jornal Nordeste.
O agricultor e a esposa depararam-se com os estragos há cerca de uma semana, quando se deslocaram à vinha para ver se a as uvas já estavam em condições de serem vindimadas. Mas, qual não foi o espanto do casal quando verificaram que não havia nada para vindimar. “Vimos que o javali fez um buraco por baixo da rede para entrar, porque o campo está todo vedado. Entrou na vinha, comeu umas uvas e outras só estragou. Não ficou um baguinho, não se pode aproveitar nada”, acrescentou.
Este ano, a produção vitivinícola de Manuel dos Santos Vaz terá uns litros de vinho a menos, pelo que o agricultor já se mentalizou que só vai poder contar com as uvas de outras vinhas.
Parque passa bola à Unidade de Gestão Florestal, que remete caso para a Zona de Caça Associativa
Uma vez que a localidade está inserida no Parque Natural de Montesinho, o agricultor deslocou-se à sede da área protegida, em Bragança, para dar conta da situação e tentar ser ressarcido dos prejuízos. “Lá [no Parque] disseram-me que ali não podiam fazer nada, que não era da responsabilidade deles e que tinha de ir queixar-me à Unidade de Gestão Florestal”, conta Manuel dos Santos Vaz. O proprietário assim fez, mas sem sucesso, mais uma vez. “Na Unidade disseram-se que tinha de apresentar o caso à Associativa de Caça da Zona da Gestosa. Já o fiz, mas também não tive bons resultados, porque me disseram que não pagavam nada, e que apenas me podiam passar uma credencial que me autorizava a fazer uma espera ao javali durante a noite”, lamenta.
No entanto, como não é caçador, nem dispõem da respectiva licença venatória para caçar, o agricultor também não poderá fazer a espera ao javali. “Não posso caçar o javali, mas mesmo que pudesse já não resolvia nada porque a vinha já está destruída”, referiu.
Naquela vinha, o agricultor produzia, em média, mais de 500 a 700 kg por ano. “O prejuízo ainda é considerável”, assegurou.
Até então nunca tinha tido problemas com os javalis, uma vez que a vinha está vedada. “Mas os vizinhos já tinham tido problemas destes. Agora nem sei o que fazer. Para dar seguimento ao processo tenho de gastar mais dinheiro, terei de ficar com o prejuízo. Mas pelo menos ainda vou escrever para a Direcção Geral de Caça e Pesca para dar conta do problema”, garantiu.