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Miniaturas com vida

Miniaturas com vida
  • 21 de Setembro de 2010, 10:02

São mãos hábeis as que dão expressão ao que os olhos já viram e agora se configuram através da madeira, do latão, da pedra e do cabedal, que se transforma em antigos lagares de azeite, em carros de bois, serras primitivas, arados ou outros artefactos que noutros tempos eram essenciais ao dia a dia.
Quem dá forma a estas pequenas maravilhas é Manuel Duarte Alves, filho adoptivo de Chacim, onde casou. Já dobrou os 70 anos, mas considera-se um jovem nas lides do artesanato, pois só há seis anos começou a esculpir as primeiras peças, que não passam indiferentes a quem as vê dada a minúcia com que foram talhadas. “Comecei há poucos anos na sequência de uma cirurgia, fui obrigado a estar parado para recuperar da doença, e tinha de arranjar algo para fazer para ocupar o tempo”, recordou ao Jornal Nordeste.
O trabalho artesanal dá-lhe prazer, mas não nega que é laborioso e exigente, mesmo assim não se considera especial, antes pelo contrário está convencido que qualquer pessoa pode fazer o mesmo. “Qualquer um faz desde que tenha paciência. Isso é que é essencial. Alguns até começam por curiosidade, mas passado um bocado já estão saturados, aborrecem-se e atiram com aquilo para o lado”, referiu Manuel Duarte Alves.
A receita do artesão é a persistência. “Começar foi um bocadinho difícil, não tinha prática de cortar a madeira, fazer esquadrias, apanhei a queda e agora já não tenho problemas”, recordou.

Artesão acalenta o sonho de expor as suas peças num museu rural

No conjunto dos trabalhos que executou destaca três objectos que não saíram das suas mãos: “Estes burritos de plástico, o Cristo e as ovelhinhas de barro que comprei. O resto foi tudo, tudo, feito por mim”, sublinha.
O objectivo de Manuel Duarte Alves é reproduzir “a vida rural de antigamente, uma vida de que os jovens já não se lembram e a maioria nunca conheceu”.
Para já não participa em feiras sectoriais para divulgar o seu trabalho, que só mostra em casa ou na feira das cebolas de Chacim, quando aproveita par o expor à entrada da garagem de casa. Todavia não se furta a dar todas as explicações aos que dele se abeiram e não esconde que tem orgulho no resultado. “Fico mais satisfeito que as pessoas queiram ver e apreciar do que se vendesse tudo a alguém que não gostasse”, assegura.
Manuel Duarte Alves acalenta o sonho de entregar as suas peças a uma associação numa aldeia que o exponha num museu rural. O ideal era mesmo que fosse na sua terra natal, mas não sabe se conseguirá a sua pretensão.

Glória Lopes

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