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Aldeias aproveitam obras para fazer negócio

Aldeias aproveitam obras para fazer negócio
  • 28 de Setembro de 2010, 10:12

“É um vaivém para cima e para baixo, é muito trânsito. Antes não era nada assim, havia mais sossego”, contou ao Jornal Nordeste. Na Trindade está instalado um dos maiores estaleiros da Mota-Engil, o que alterou completamente a fisionomia da localidade, pois para além das próprias obras que estão em construção, há também uma vasta área onde estão instalados os dormitórios e refeitórios, sendo habitual estarem dezenas de carros estacionados logo à entrada da aldeia.
As grandes obras em curso no distrito de Bragança, trouxeram um novo movimento às aldeias, principalmente às localidades onde estão instalados estaleiros.
Tudo isto está a provocar algumas alterações ao tecido económico local, pelo menos durante a fase de construção. Cristina Morais não nega que as obras têm trazido alguns benefícios. “Vendo um pouco mais, principalmente ao fim-de-semana, porque os trabalhadores compram fruta para levarem para casa. Estou a vender bem os figos e também vendi bem a cereja”, referiu. Quem mais tem lucrado com a presença de centenas de trabalhadores, que na maioria dos casos vem de fora da região, são os proprietários de imóveis que arrendaram habitações, os cafés e restaurantes. “Eles têm cá uma cantina, mas muitos também vão aos restaurantes”, acrescentou a vendedora da Trindade.
Em Santa Comba da Vilariça também se nota um movimento inusual. Mais gente, mais cafés e restaurantes cheios à hora de almoço e à noite.
Todavia, os habitantes das aldeias não estão tranquilos e já antecipam cenários para após a conclusão das obras.
Temem o futuro. Consideram que depois de as vias estarem construídas as aldeias encaixadas ao longo da Nacional 102 ficarão mais isoladas. “Ninguém vai passar aqui. Vamos ficar isolados. Só vai passar aqui quem precisar, porque a maior parte do trânsito passará no IP2”, vaticina Maria Emília, proprietária de um café em Bornes.

Populações preocupadas com o futuro após a conclusão das obras

Aquela comerciante garante que não está a ganhar com as obras. “As vantagens são para quem tem casas para arrendar. Alguns trabalhadores arrendaram vivendas e outros estão em casas de turismo rural. Eu vendo mais umas garrafas de água”, acrescentou.
Já Ricardo Dobrões, proprietário de um posto de abastecimento de combustíveis e de um café em Santa Comba da Vilariça, admite que tem mais clientes, “com os trabalhadores das estradas e da barragem”. Não esconde que faz mais negócio e que vende mais cafés, mais pequenos-almoços e mais combustível.
No entanto, o jovem não adivinha um futuro risonho para as aldeias. “Depois das obras vão ficar isoladas. Além disso, o IC5, o IP2 e auto-estrada não vão trazer grandes melhorias para as localidades, porque os habitantes vão ter de continuar a deslocar-se entre aldeias nas mesmas estradas sem condições”, frisou Ricardo Dobrões.
Pouco animado está também Carlos Pedroso, residente em Lisboa, mas natural de Bornes. “Que em veja não trouxe nada de novo. As acessibilidades aqui em Bornes vão ficar difíceis, ninguém se vai entender porque o que estava bom está a ficar rebentado, nomeadamente as estradas velhas. Nunca mais ninguém vai pôr tapetes novos. As obras não trouxeram nada de novo”, afirmou.

GLÓRIA LOPES

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