Com café também se pinta
Serão até raros os que o fazem, e também não foi um trabalho intencional para Ricardo Dobrões, 20 anos, residente em Santa Comba da Vilariça, no concelho de Vila Flor. Foi fruto do acaso. O jovem já pintava com aguarela e outros materiais, mas um dia, enquanto rabiscava à mesa de um bar e tomava café, deixou cair um pingo da bebida no papel e uma mudança se operou no seu trabalho artístico. “Ficou uma mancha na folha, gostei da cor e do efeito. Notei que a cor do café, acastanhada, dá para fazer coisas interessantes, parece quase aguarela, com camadas. Até com a borra depois de beber consigo pintar um rosto. É preciso paciência e gosto”, explicou.
Quando não tem mais nada à mão, e está no café, aproveita a bebida para pintar. “É barata e dá para pintar muito”, confessou. O café acaba por sair um material bem mais acessível dos que as tintas, e Ricardo Dobrões considera-o muito versátil para o tipo de trabalho que gosta de executar, que resulta num castanho quente, mais claro ou mais escuro.
Tudo lhe serve de inspiração e de motivo para meter mãos à obra
O Jornal Nordeste encontrou Ricardo Dobrões, precisamente, à mesa do café da família, em Santa Comba da Vilariça, sentado numa mesa a pintar calmamente um rosto humano. Por entre as bebidas que vai servindo a quem entra, arranja sempre tempo para dar azo à sua imaginação. Tudo lhe serve de inspiração e de motivo para meter mãos à obra. “Vou pintando para me distrair, quando não tenho mais nada tiro um café e pinto, gosto de pintar, dá-me prazer e não vejo porque não se hão-de realizar outros materiais”, referiu.
As paredes do café da família estão decoradas com pinturas da autoria do rapaz.
Os clientes do estabelecimento já se habituaram a ver o jovem abstraído nas suas pinturas. “Está sempre nisto, mas tem muito jeito, deve continuar com café ou outra coisa qualquer”, atirou um cliente encostado ao balcão.
Glória Lopes