Investigadores de 46 países debatem a paisagem
A conclusão saiu da conferência internacional “IUFRO Landscape Ecology Working Group International”, que terminou ontem em Bragança.
Segundo João Carlos Azevedo, professor do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) e um dos responsáveis pela organização, “há uma tendência para a homogeneização da paisagem a partir do momento em que abandonamos a agricultura e a pecuária, e a paisagem fica dominada por áreas de mato”.
O docente defendeu que as alterações podem não ser “muito favoráveis” a algum tipo de biodiversidade. Apontou exemplos: “As plantas e animais que estão há muitos milhares de anos ajustadas a mosaicos complexos, com a presença de comunidades urbanas, tenderão a diminuir a dimensão das suas populações. Já as espécies mais selvagens têm tendência a ver o seu habitat melhorado”, acrescentou o especialista.
O abandono da agricultura pode não ter “os efeitos mais desejáveis, pois as paisagens são dinâmicas e esta é a grande mensagem dos trabalhos aqui apresentados”, alertou João Carlos Azevedo.
Em algumas freguesias, o decréscimo da agricultura nos últimos 50 anos foi mais de metade
Quanto a alterações previstas para a região, o docente admite que a agricultura está a diminuir. Em algumas freguesias, nos últimos 50 anos, o decréscimo foi mais de metade e há casos em que ultrapassa esse valor. Todavia, tudo indica que a mudança está a caminho com o regresso à agricultura, ainda que em moldes diferentes dos actuais. “Eu acredito que a agricultura e o aproveitamento agrícola dos sistemas rurais vai recomeçar a ser feito”, defendeu.
O professor sustenta a sua posição nos indicadores e no facto de existirem cada vez mais técnicos qualificados as áreas da agricultura e das florestas. “Há alteração na distribuição das pessoas por esses territórios, mas há conhecimento e havendo a possibilidade de fazer investimento haverá possibilidade de fazer uma nova alteração de fundo na paisagem da região”, vaticinou João Carlos Azevedo.
O encontro reuniu, em Bragança, mais de 300 participantes de 46 países de cinco continentes. Recorde-se que o IPB candidatou-se à organização desta conferência internacional há dois anos, durante um encontro semelhante realizado na China, deixando para trás muitos outros países.
Glória Lopes