Hospital de Mirandela perde cirurgião
O cirurgião que estava de prevenção entre as 14 e as 24 horas na Urgência de Mirandela foi transferido para Bragança, ficando esta unidade com menos um especialista.
Esta medida foi tomada pelo Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Nordeste (CHNE), após a análise da actividade durante os três meses de Verão.
“Entre as 14 e as 24 horas verificou-se uma média de transferências de doentes da Urgência de Mirandela para Bragança de 0,22 doentes/dia, o que significa que a cada 3, 5 dias houve uma transferência”, sustenta o presidente do Conselho de Administração do CHNE, Henrique Capelas.
Recusando comentar estes números, o responsável cita, ainda, um parecer solicitado pelo departamento de Cirurgia do CHNE à Ordem dos Médicos, para justificar a pertinência de manter a Urgência de Mirandela a funcionar com menos profissionais de saúde. “O parecer da Ordem ratifica a justeza das medidas tomadas como as mais adequadas à protecção e à segurança dos cidadãos”, sustenta Henrique Capelas.
População de Mirandela vai sair à rua em protesto contra a transferência de médicos para Bragança
O presidente do CHNE garantiu, ainda, que não está em causa o encerramento da Urgência Médico-Cirúrgica de Mirandela, mas recusou comentar as implicações que a transferência deste especialista pode ter no estatuto daquele serviço. “Tratou-se de reforçar o serviço de Urgência de Bragança, que é um hospital que tem o dobro da produção e das urgências dos outros dois”, enaltece Henrique Capelas.
Também o director clínico do CHNE, Sampaio da Veiga, afirmou que a prestação de cuidados com rapidez e segurança implica a reestruturação de serviços, remetendo a questão do estatuto da Urgência de Mirandela para quem criou a rede.
Apesar de Mirandela ter uma Urgência Médico-Cirúrgica, há valências definidas pelo despacho 727/2007, publicado em Diário da República a 15 de Janeiro de 2007, que nunca funcionaram naquela Unidade Hospitalar, como é o caso da Imuno-hemoterapia ou Medicina Intensiva. “A obrigação do CHNE era criar as condições para que a Urgência Médico-Cirúrgica de Mirandela funcionasse em pleno e nunca o fez”, acusa o presidente da Câmara Municipal de Mirandela, José Silvano.
O edil mirandelense mostra-se revoltado com as medidas tomadas pelo CHNE e garante que a população vai sair à rua em protesto ainda este mês.