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Apaziguada com o tempo

Apaziguada com o tempo
  • 19 de Outubro de 2010, 10:09

“O rompimento foi feito há 10, 12 anos, mas alcatroada foi há dois. Antes desta estrada nova tínhamos um caminho em terra batida. Agora, não precisamos de ir a Carocedo fazer aquelas curvas”, continua o proprietário do único café da aldeia, a Cervejaria 2000 Freixedelo.
“Agora o que está mal é o Penacal. Precisávamos de um tapete novo, pelo menos, do nosso caminho a S. Pedro. Mas eu já não estou a pedir só para Freixedelo. O Penacal precisava todo de S. Pedro a Carocedo. Porque eu não sou daqueles que peço só para mim. Olho para toda a população”, remata o comerciante, referindo-se às péssimas condições da EN 217, a principal via de acesso a Bragança.
A 15 quilómetros de Bragança, Freixedelo é uma aldeia que não parou no tempo. Com saneamento básico, água, luz, novo acesso rodoviário e uma terra fértil, talvez por isso os seus habitantes sejam parcos nas ambições, mas não em acções. “Aqui fazem-se muitas coisas! Temos umas festas religiosas lindas e uns santinhos muito bonitinhos”, sublinha Maria, uma habitante da aldeia. Com S. Vicente como padroeiro, a anexa da freguesia de Grijó de Parada “faz a festa” em 4 ocasiões distintas: a Festa do S. António, a do Sagrado Coração de Jesus, a da Capela de S. Sebastião e a grande festa, a de S. Bartolomeu.
“Fazemos 3 ou 4 festas, mas a principal é a de S. Bartolomeu, a 24 de Agosto. Só a gente de cá que está fora enche a aldeia. Como é Verão, os emigrantes regressam todos. A população chega ao dobro”, garante Amador dos Santos Pires, agricultor, casado com a terra. “Esta é das aldeias que ainda tem muita gente. Tem cerca de 60, 70 habitantes”, acrescenta. De acordo com este pai de quatro filhos, “a morarem e a trabalharem em Bragança”, “a terra dá como dava antes, só que o rendimento é menos”.

Habitantes de Freixedelo
pedem um novo tapete
para a N217, a estrada
que dá acesso a Bragança

Ilídio concorda e vai mais longe. “A agricultura está um caos! Se formos a ver, as pessoas andam só para gastar o que têm. Dá mais prejuízo do que aumento. Semeava-se mais há 15 anos do que se colhe hoje. Antigamente, enchiam-se os celeiros e pagavam-no a bom preço. Os adubos e o gasóleo eram muito mais baratos. A agricultura está toda a bater com o pé no fim”, preconiza.
Freixedelo pode guardar os seus segredos e as suas ambições, conter-se nas palavras, mas não tem forma de ocultar os seus monumentos. Para além da igreja e da capela, tem duas fontes e dois pelourinhos. Mas Celeste Rodrigues, “apanhada” com as sacas das vindimas nas mãos, destaca as uvas como o ex-libris da terra que a viu nascer. “Aqui há boas uvas, bom vinho e bons bebedores! Também há muito azeite, muito trigo e muito centeio”, assevera. “Estou aqui a estender estas sacas das uvas, que é para as enxugar, para as arrecadar para a próxima vindima”, explica.

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