Turma multinacional é caso exemplar
Actualmente, duas docentes ensinam Português a uma turma de 49 alunos, provenientes de 16 nacionalidades, de países tão diferentes como a China, Costa Rica, Roménia e Bósnia, entre outras. ,
Trata-se de um projecto possível graças a uma candidatura feita pelo estabelecimento de ensino, que mereceu luz verde do Ministério da Educação. As aulas funcionam todos os dias da semana, incluindo o domingo, em dois horários, e são consideradas “um bom exemplo de integração e multiculturalismo”, por Dalila Araújo, secretária de Estado da Administração Interna, que visitou a turma na passada quarta-feira.
“Alguns dos alunos são casais e trazem os filhos porque não têm a quem os deixar. As aulas funcionam essencialmente à noite, embora haja um grupo que vem à tarde”, explicou Teresa Sá Pires, directora da Escola Abade Baçal. Muitas vezes, as professoras acabam por ajudar as crianças a fazer os trabalhos de casa, uma vez que algumas já frequentam o 1º Ciclo.
O objectivo do curso é ensinar a ler e a escrever em Português para que os imigrantes se integrem com mais facilidade. “Damos os conhecimentos básicos, alguns até têm habilitações académicas nos seus países, e depois conseguem equivalências”, acrescentou a responsável pelo estabelecimento de ensino.
Normalmente os imigrantes que se radicam em Bragança acabam por prosseguir estudos, ingressando nas Novas Oportunidades.
A visita da secretária de Estado da Administração Interna à Escola Abade de Baçal realizou-se no âmbito da sua tutela sobre o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). “Tive curiosidade de ver uma situação em concreto no ensino da língua, uma vez que essa é uma das medidas implementadas pelo Governo em várias escolas”, explicou. O ensino do Português é considerado “uma medida básica” da integração dos imigrantes. “Dominar a língua do país de acolhimento é essencial. Essa é a razão de eu vir a esta escola porque ela representa um bom exemplo da integração numa escola com 16 nacionalidades, onde vêm os pais e os filhos”, acrescentou a governante.
Conhecer a língua é essencial para obter visto e conseguir emprego
Os alunos não têm encargos para frequentar o curso de Português, mas existem programas que financiam o funcionamento destas iniciativas. “Têm custos associados, mas não são significativos, os professores recebem as suas horas extraordinárias”, frisou Dalila Araújo.
O conhecimento da língua é um dos requisitos para os estrangeiros conseguirem a obtenção da nacionalidade, o que passa pela realização de um exame, onde têm sido detectadas algumas tentativas de fraude. No ano passado foram detectados dois casos, em Bragança, em que os candidatos a exame tentara usar a identidade de outra pessoa. “As situação tende a diminuir, mas vão acontecendo”, recorda a responsável.
O SEF está a desenvolver uma acção nas escolas para atribuir documentos de residência às crianças filhas de estrangeiros e, por essa via, também aos pais, uma vez que este é um dos mecanismos de obtenção de visto de residência em Portugal. “Muitas vezes os imigrantes têm algum constrangimento em irem ao SEF. São aconselhados por outros a não irem porque isso faz com que o SEF os expulse, daí que ainda existam crianças a frequentar o ensino sem documentos”, referiu Dalila Araújo. Com o ‘SEF vai à escola’ pretende-se quebrar esta barreira e fazer uma aproximação aos estrangeiros através dos filhos.
Glória Lopes