Abastecimento de água em tribunal
Segundo o PS, a autarquia diz ter concluído e pago a empreitada em 2008, mas as obras só arrancaram há poucas semanas.
Ao que o Jornal Nordeste apurou em Vilarinho de Agrochão, os trabalhos começaram há cerca de quatro semanas e ainda estão a decorrer. Trata-se do abastecimento de água tratada a cinco aldeias da zona de Vilarinho de Agrochão/ Fornos de Ledra, como Lamalonga, Argana, Vila Nova da Rainha, cujas tubagens terão que passar por uma malha de alguns quilómetros de estradas e caminhos.
A concelhia do PS acusa a Câmara Municipal de ter enviado as máquinas para o terreno depois de ter conhecimento que os vereadores socialistas andavam a fazer o levantamento da situação, “no dia 28 de Setembro”, asseguram. “Todo o projecto em causa, excepto cerca de 500m de tubagens que foram enterradas no início de 2008, está agora a ser feito, cerca de 3 anos depois de a mesma ter sido dada por concluída e paga”, afirmou o presidente da concelhia do PS, Rui Vaz.
População desvaloriza polémica e prefere realçar o abastecimento de água
A polémica está instalada em Macedo de Cavaleiros, mas nas aldeias a controvérsia pouco diz aos habitantes, que estão mais interessados em ter água em quantidade e qualidade. Da disputa entre o executivo camarário e a Concelhia do PS apenas sabem o que ouviram e leram na comunicação social. “Já se passou muita sede de água nestas terras. Antigamente a água era à míngua. Quanta mais houver melhor”, referiu um emigrante natural de Vilarinho de Agrochão.
O PS apresenta como provas os dados dos documentos previsionais aprovados pelos órgãos do município (Câmara Municipal e Assembleia Municipal), para o ano de 2008, concretamente o Plano Plurianual de Investimentos, na acção 2006-I-98, onde se encontrava prevista a execução do investimento designado por ‘Sistema Integrado de Adução de Água à Zona Norte do Município’. Para a sua concretização foi desenvolvido procedimento concursal que culminou com a adjudicação desta empreitada à firma Nordinfra – Infraestruturas do Nordeste Lda., pelo valor de €124 722,50, a que acresceu IVA, perfazendo o total de €130 958,63, tendo sido celebrado contrato a 01-02-2008. “Porém, a realidade é bem diferente. A obra não está concluída, como é demonstrado naquele documento. Pese embora o atrás descrito, a verdade é que, à presente data, a empreitada não se encontra executada, ainda que paga na íntegra como fica sobejamente demonstrado”, adiantou o líder do PS.
Documentos oficiais servem de prova. Câmara não comenta
Rui Vaz explicou que no ano de 2008, as contas da Câmara de Macedo de Cavaleiros demonstram que a empreitada foi executada e paga conforme condições contratuais celebradas. Ou seja, oficialmente e para todos os efeitos legais, a 31 de Dezembro de 2008, data do encerramento do exercício, a empreitada encontrava-se executada e paga. “Mas a realidade é bem diferente, a obra está em curso apesar de nas ‘Grandes Opções do Plano para 2010’ não constar nenhuma empreitada referente a abastecimento de água naquela zona do concelho. Logo, falta cabimentação financeira no exercício de 2010 desta suposta obra. Estamos perante um crime grave!”, afirmou o líder da concelhia socialista.
O Jornal Nordeste procurou, insistentemente, obter declarações do vereador do pelouro das Obras na Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, mas sem sucesso, apesar dos esforços e das muitas ligações telefónicas.
Glória Lopes