Santiago Ydáñez expõe em Bragança
‘Sem Título” é o mote da mostra comissariada por Jorge Costa, director do CACGM, que, curiosamente, incluiu trabalhos que se inspiraram em algumas tradições transmontanas associadas à iconografia das Festas de Inverno, também conhecidas por Festas dos Rapazes, onde a máscara ganha um papel preponderante, como “os caretos” ou os “diabos de Vinhais”.
Santiago Ydáñez consegue, também, “apropriar-se” de imagens religiosas, corpos e rostos humanos e dar-lhes um movimento único, seja através de um olhar ou um trejeito, em pinceladas largas, uma pintura que se configura em colagens de aspectos fulcrais, cujos traços se assemelham, por vezes, à pintura do inglês Lucien Freud. Numa leitura extremamente pessoal, Ydáñez coloca-se como objecto da cena.
Muitas vezes o artista trabalha a uma escala monumental, como o grande touro que está patente no Centro Cultural Graça Morais. Aos 41 anos é já um dos jovens pintores espanhóis com maior projecção internacional, inscrevendo-se no raro grupo desta geração que trabalha a pintura a partir do território da figuração.
“Mais do que qualquer outro tema, a representação do rosto humano adquire na sua obra um particular enlevo, ainda que de modo algum em absoluto”, definiu Jorge Costa. Na sua arte são também frequentes as representações de animais, especialmente os submetidos ao trabalho de taxidermia, corpos nus, imagens religiosas e paisagens.