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Azeite transmontano singra no estrangeiro

Azeite transmontano singra no estrangeiro
  • 16 de Novembro de 2010, 10:53

O azeite de Trás-os-Montes já é identificado, no estrangeiro, como um produto de alta qualidade. Nos últimos anos, marcas da região têm arrebatado prémios na Argentina, Itália, China e Israel. A situação “ não é fruto do acaso”, explicou António Branco, presidente da Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro (AOTAD). “Tem sido obra do trabalho dos olivicultores e das mudanças realizadas no sector”, referiu o dirigente associativo. As unidades de transformação depois de uma efectiva requalificação tecnológica implementaram boas práticas e normas de trabalho, laborando a azeitona no dia da colheita, controlando as temperaturas e identificando e diferenciando a qualidade dos diferentes lotes.
António Branco refere que é importante os pequenos produtores seguirem o exemplo dos grandes e começarem a campanha da azeitona cedo. “Não se pode esperar pela primeira geada, como diz a tradição. Isso é completamente errado”, afirmou.
As cooperativas agrícolas da região são sensíveis a estes argumentos da AOTAD, e estão a premiar os produtores que entreguem a azeitona cedo. “A Cooperativa de Olivicultores de Valpaços paga o quilograma da azeitona a 30 cêntimos a quem entregue até ao dia 26 de Novembro. A Cooperativa de Alfândega da Fé está a tentar fazer o mesmo”, justificou António Branco.
Os diferentes prémios obtidos, em particular nestes últimos dois anos, são a prova de que os olivicultores estão a promover uma nova abordagem empresarial ao olival, adoptando boas práticas de cultivo, antecipando a campanha e entregando a azeitona em boas condições de laboração. “É indiscutível que tem havido um esforço dos produtores para fazerem embalamento e lançarem rótulos”, assegurou o responsável.

Painel de Provadores tem sido fundamental para garantir lotes de azeite de qualidade superior

O apoio, a dispersão de informação e a formação do Painel de Provadores de Azeite de Trás-os-Montes tem sido fundamental para garantir e identificar lotes de azeite de qualidade superior. Os embaladores têm gradualmente assumido o risco e o investimento na certificação DOP.
António Branco considera que foram dados passos importantes, mas ainda há muito a fazer no sector e lamenta que não exista em Portugal uma Associação Interprofissional do Azeite, que assuma a valorização e protecção da qualidade e da fileira.
A falta de publicação e regulamentação das alterações ao Regulamento CE 1019, que determina a indicação do país de origem nos rótulos de azeite, são medidas que estão atrasadas. Outro problema é o facto de a denominação “azeite” ainda seja a designação comercial de azeite refinado misturado com azeite virgem extra. O mercado do granel continua em depressão.

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