“Não é fácil um político deslocar-se aqui”
A visita de Manuel Alegre exaltou anteontem o pacato Lugar de Centeeiras, uma aldeia com 32 habitantes, onde o do candidato presidencial venceu, em 2006, com mais de 50 por cento dos votos.
Centeeiras é um daqueles sítios onde os políticos não vão, à excepção do presidente da Câmara. Para lá chegar são 25 minutos de curvas e contra-curvas desde a Torre de Moncorvo, a serpentear pela paisagem agreste da serra do Reboredo.
Ali resistem 32 habitantes, que saíram em peso à rua para receber o candidato.
Em 2006 eram 37, eleitores 35. Nas presidenciais votaram 24. Manuel Alegre ganhou com 50 por cento, teve 12 votos, contra 7 em Cavaco Silva, 4 em Francisco Louçã e 1 para Garcia Pereira. Jerónimo de Sousa e Mário Soares não tiveram nenhum.
Foi para “agradecer do coração” que Manuel Alegre fez questão de visitar aquelas pessoas que depositaram nele o seu voto de confiança.
Acompanhado por Aires Ferreira, presidente da Câmara de Torre de Moncorvo e mandatário da sua candidatura no distrito de Bragança, Manuel Alegre disse que “Portugal é em todos os sítios e não pode haver um Portugal de segunda e um Portugal de primeira”. “É aqui que estão as nossas raízes, é aqui que está o Portugal profundo, não há Portugal mais profundo que este”, disse o candidato.
Porque é “dever de um candidato a Presidente ir a todos os sítios de Portugal, “por mais longe que sejam, por menos gente que tenham”, Manuel Alegre deixou o seu agradecimento: “Foi uma grande emoção ver pessoas que nunca me tinham visto, numa terra onde nunca tinha estado, que depositaram em mim esse voto de confiança”.
O presidente da Junta de Freguesia de Mós, Paulo Evangelista Bento, retribuiu a honra da visita em nome da gente da terra, sublinhando que “nunca nenhum político aqui esteve, às vezes nem o da Câmara”. “Estou muito emocionado, sensibilizado e agradecido a Manuel Alegre porque não é fácil um político deslocar-se aqui. Espero que ele ganhe as eleições”, desejou o autarca.