Música para combater exclusão social
Os pequenos estudantes foram seleccionados com a colaboração de técnicos da Fundação Calouste Gulbenkian e da Escola Esproarte para passarem a frequentar aulas de música. Como incentivo receberam violinos, violas de arco, violoncelos e contrabaixos. “É um projecto que através da música vai combater algum risco de exclusão social. São pessoas que não tinham nem possibilidade nem oportunidade de comprar um instrumentou ou de frequentar aulas de música”, explicou José Silvano, presidente da Câmara de Mirandela.
O projecto vai funcionar durante três anos e foram escolhidas as crianças com alguma aptidão para a música, que vão integrar a Orquestra Geração. O programa implicou um investimento de 50 mil euros por parte da EDP, a Esproarte faculta a formação e as instalações.
O autarca nega que esta oferta da EDP seja uma compensação pela construção da Barragem de Foz Tua. “O protocolo foi celebrado há mais de um ano. oque está em causa para compensar pela barragem é a acessibilidade e a agência de desenvolvimento”, justificou o edil.
A Fundação EDP já está a desenvolver um projecto semelhante com jovens da Amadora.
Autarca nega que esta oferta da EDP seja uma compensação pela construção da Barragem de Foz Tua
Sérgio Figueiredo, administrador delegado da Fundação EDP, explicou que se trata de um programa de inovação social que visa “promover soluções novas para velhos problemas, neste caso é a exclusão social”. O objectivo da iniciativa passa por “desviar o percurso de algumas crianças enquanto é tempo. Não é um projecto para reparar a avaria quando ela está consumada, mas a nossa vocação é para influenciar as causas da exclusão social”, acrescentou.
A inclusão na escola pode ser determinante na vida de alguém, pelo que uma das condições para continuar na Orquestra Geração é a manutenção no sistema de ensino.
Ana Moutinho, mãe de duas meninas contempladas com instrumentos de cordas, não escondeu a sua satisfação. “Eu tenho 12 filhos não tinha possibilidade nenhuma que fossem para as aulas de música e muito menos para comprar os instrumentos”, admitiu.
O rosto de felicidade de João Martins, 9 anos, por ter recebido um violoncelo, era compensador para todos os intervenientes na iniciativa. “Agora vai ser o meu melhor amigo, os meus pais não podiam comprá-lo. Foi um bom presente de Natal”, referiu o jovem.