84 casos de violência doméstica sinalizados
Durante este ano, já foram sinalizados 84 casos de violência doméstica pelos Núcleos de Acompanhamento que funcionam nos 15 centros de saúde que integram o Agrupamento do Nordeste. Esta informação foi avançada, na passada terça-feira, no âmbito do Seminário sobre Violência Doméstica e Gravidez.
A funcionar desde 2007, estes espaços de apoio às vítimas têm registado um aumento exponencial do número de casos, devido à proximidade com as pessoas.
No primeiro ano de funcionamento, os núcleos acompanharam cerca de 21 vítimas, um número que disparou para 59 no ano passado e para 84 já este ano. A sinalização crescente de casos deve-se, segundo a socióloga do ACES Nordeste, Ludovina Martins, à divulgação dos núcleos junto dos utentes, que se sentem mais à vontade para denunciar situações de violência doméstica.
O maior número de casos é registado em Bragança e Mirandela, dado que são os centros de saúde com um maior número de utentes. As mulheres continuam a ser as principais vítimas, representando 94 por cento dos casos sinalizados.
Para travar este flagelo, o ACES Nordeste está a desenvolver um projecto pioneiro, que consiste na aplicação de ferramentas de detecção da violência doméstica em mulheres grávidas.
A ferramenta de rastreio já está a ser aplicada, desde o ano passado, a cerca de 300 grávidas, mas poderá abranger o universo de cerca de 1.024 grávidas que estão a ser seguidas nas unidades de saúde do ACES Nordeste.
Para combater a violência, o governo disponibiliza, ainda, 10 milhões de euros, para a criação de planos para a igualdade. A Câmara Municipal de Alfândega da Fé vai apresentar uma candidatura a este programa, para poder integrar a rede de apoio às vítimas que já existe no concelho. Entretanto, a presidente da autarquia, Berta Nunes, afirma que o município também já nomeou uma consultora para a igualdade, para trabalhar no combate à violência doméstica.