Três décadas na senda do desenvolvimento
Num ambiente de festa que reuniu várias gerações, o que demonstra a “vitalidade” do colectivo, muitos aproveitaram para recordar os primeiros passos de uma associação que, no seu início, deu pelo nome de Grupo Cultural e Folclórico da Freguesia de Palaçoulo.
Um dos pontos altos das comemorações foi a homenagem prestada a José Francisco Fernandes, um dos principais impulsionadores daquela associação. Um homem ligado ao associativismo, quer juvenil, quer empresarial, que lançou a primeira pedra daquela estrutura associativa decorria o ano de 1980. Porém, o início da sua actividade remonta a 1978.
“Tudo começou com uma visita às Festas de Algoso, no concelho de Vimioso. A actuação de um grupo de pauliteiros deixou-me a pensar e, desde logo vi, o que fazia falta na minha terra, voltar de novo a redescobrir esta forma única de dançar”, recordou o homenageado, que aos 83 anos de idade demonstra, ainda, uma “grande paixão” pela cultura e etnografia das Terras de Miranda.
“Para que os projectos por mim lançados tivessem sucesso, sempre tive o cuidado de me rodear de pessoas capazes e com vontade de trabalhar”, desvendou. Na opinião de José Francisco Fernandes, uma das receitas para o sucesso do associativismo é “deixar a política partidária de fora das colectividades para que, desta forma, haja garantia de afirmação no trabalho previamente delineado”.
Um dos principais embaixadores da cultura mirandesa, José Francisco Fernandes, entoou no seu discurso as memórias de outros tempos
A Associação de Palaçoulo procura manter vivo o folclore mirandês, de onde se destacam os pauliteiros, as danças mistas e os cantares regionais, bem como a gaita-de-foles, entre outros instrumentos tradicionais. O próprio nome da colectividade, Caramonico, é deveras “emblemático” porque traduz uma específica carga histórica e identificativa daquela localidade mirandesa.
Conversador e com um memória invejável, o homenageado foi sempre recuando no tempo, relembrando que uma das suas primeira façanhas no campo cultural foi reactivar, em 1961, um grupo de pauliteiros, que já não dançavam desde 1948. “Foi uma alegria para este povo voltar a ver e ouvir os laços dançados pelos grandes embaixadores culturais da Terra de Miranda”, recordou. Para além de dinamizador cultural, José Francisco Fernandes é, também, conhecido pela sua faceta literária, tendo já escrito e publicado diversas obras em mirandês. Aliás, é sobre a segunda língua oficial portuguesa, que confidencia: “a sua génese está na Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa”.
De realçar, ainda, que este mirandês “dos quatro costados” esteve ligado à fundação de outras estruturas orientadas para a agricultura como é o caso da Cooperativa Agrícola de Palaçoulo ou dos balcões da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Terras de Miranda, a funcionar em Palaçoulo e Sendim.