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Jovem cria a sua primeira marcha

Jovem cria a sua primeira marcha
  • 12 de Janeiro de 2011, 12:18

“Filho de peixe sabe nadar”

Ricardo Jorge Xambre Neto, nascido 3 Abril de 1994. Natural de Freixo de Espada à Cinta. Filho do conhecido músico de guitarra portuguesa, José Manuel Martins Neto, desde muito cedo tende a seguir as pegadas do seu pai. Aos 8 anos inicia a carreira musical na Banda de Freixo de Espada à Cinta, da qual ainda faz parte. Estudou até ao 7º ano no Agrupamento de Escolas de Freixo de Espada a Cinta e, actualmente, estuda na Escola Profissional de Arte de Mirandela (ESPROARTE), encontrando-se no 3º grau de contrabaixo.

Jornal Nordeste (JN) – De onde surgiu o teu gosto pela música?

Ricardo (RN) – O gosto pela música surge desde muito cedo. Já com 2 anos de idade, quando via a banda passar nas arruadas, ficava em pulgas. Adorava vê-los, chegando mesmo a imitar alguns gestos do maestro e tentava estar sempre presente. Outra grande causa é, sem dúvida, o meu pai, sempre que estava na companhia dele, adorava vê-lo tocar.

JN – Como surgiu a ideia de criar esta marcha?!

RN – Tudo começou numa tarde num café, em Janeiro de 2008. Em conversa com amigos levantou-se a questão: “como é que se conseguirá criar uma marcha?”. Foi então que decidi vir para a sede da banda e numa folha pautada comecei a compor a marcha à mão. Mesmo sem saber ainda compor, comecei a criar, assim, as primeiras linhas melódicas da marcha. Mesmo, ainda, sem me dedicar à música a tempo inteiro, sendo na altura apenas um músico no meio filarmónico, comecei a ganhar o gosto pela composição, ganhando dia para dia a vontade de criar a minha própria composição.

JN – O título da tua composição denomina-se “Manuel Sapage”. Porquê?

RN – Quando comecei a escrever a marcha não tinha nenhum intuito conclusivo da mesma, visto possuir apenas a curiosidade de compor. Mais tarde, quando a marcha estava quase finalizada, pensei recompensar ao músico mais antigo da banda de Freixo, há 60 anos na Banda, Manuel Sapage. Sendo uma pessoa que ajudou bastante a banda e a mim próprio, decidi então dar o nome deste grande homem à minha primeira composição para banda.

JN – Esta foi a tua primeira composição apresentada ao público. Possuis mais alguma?

R – Sim foi a primeira a ser apresentada, mas não a única que já realizei. Tenho já criada uma peça para Orquestra, duas para Brassband, um Quinteto, uma peça para Coro, um Cánon, entre outras.

JN – Qual a tua opinião sobre a Banda de Freixo?

RN – Acima de tudo, o que torna a Banda de Freixo uma banda diferente é a união e ligação existente entre os músicos, maestro e direcção. Vejo a banda como a minha segunda família.

JN – O teu pai é um famoso músico de Guitarra Portuguesa. Qual é a tua ligação com ele?

RN – Apesar de estarmos distantes um do outro, visto os meus pais viverem em Lisboa, tento ter o máximo contacto possível com ele. É sem dúvida um enorme orgulho tê-lo como pai e assistir sempre que possível aos seus concertos. Já assisti a concertos onde ele actuou com as figuras mais importantes do fado, desde Camané, Carlos do Carmo, Mariza, Ana Moura, entre outros. Tento pedir-lhe sempre a opinião, recorrendo, assim, se for preciso, à sua ajuda.

JN – Sonhas um dia ser conhecido como o teu pai?

RN – Como um dia o meu pai me disse: “filho tenta ir sempre mais longe donde eu consegui chegar”. Quer ele com isto dizer, que acima de tudo devo sonhar, acreditar e sim um dia ter o devido merecimento pelo meu esforço e não me preocupar com a fama.

JN – Projectos para o futuro?

RN – O meu maior sonho é um dia conseguir alcançar um lugar numa grande orquestra. Quero continuar os estudos na música. Desejo tirar a licenciatura no instrumento que actualmente estudo. Sonho, ainda um dia poder actuar em conjunto com o meu pai e ter assim mais tempo para estar com ele.

JN – Para finalizar, queres deixar uma mensagem?

RN – Quero acima de tudo passar uma mensagem aos meus colegas músicos: “não é com os braços cruzados que se conseguem atingir os objectivos”. Com força e dedicação tudo se consegue. Aproveito também pa­ra agradecer às gentes de Freixo pela forma como reagiram na apresentação da minha marcha no passado dia 19 de Dezembro de 2010, no concerto de Natal da Banda. A eles um muito obrigado, do fundo do coração.

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