Presidenciais 2011
“É preciso romper com as políticas do PS e PSD”
José Castro, mandatário distrital do candidato do PCP, Francisco Lopes, está convicto que o distrito de Bragança vai alterar o seu sentido de voto e dizer nas urnas que não está mais disposto a compactuar com o subdesenvolvimento que os modelos e a governação têm imposto à região
Jornal Nordeste (JN): Quais as suas expectativas relativamente aos resultados das Eleições Presidenciais no distrito?
José Castro (JC): As expectativas não podiam ser melhores, a par do que tem acontecido um pouco por todo o País. A campanha vai em crescendo, temos encontrado uma receptividade muito boa à nossa mensagem, sobretudo em camadas da população que até agora não tinham tido tanta receptividade à necessidade de romper com as políticas do PS e do PSD que tem vindo a arruinar o País, e muito particularmente a nossa região.
Temos contactado com as populações em localidades do interior do Distrito por onde as outras candidaturas não têm ousado sequer apresentar-se, o que é compreensível atendendo às responsabilidades no actual estado da região.
Na próxima quarta-feira vamos ainda debater em Bragança o estado actual da economia e as soluções que propomos, com o economista e professor universitário Sérgio Ribeiro, que servirá para melhor esclarecer as soluções que Francisco Lopes corporiza na sua Candidatura Patriótica e de Esquerda.
JN: Qual é a principal mensagem que a vossa campanha pretende veicular?
JC: A mensagem da nossa campanha é fundamentalmente a da necessidade de votar para defender a nossa Constituição e os direitos que consagra, de votar para defender a Soberania Nacional que nunca esteve tanto em perigo, e de votar para inverter o ciclo de políticas e de governos PS/PSD/CDS que arruinaram o País.
JN: Acha que poderá haver uma segunda volta das eleições ou ficará tudo decidido na primeira?
JC: Independente do número de voltas, acho que desta vez o distrito de Bragança vai alterar o seu sentido de voto e dizer nas urnas que não mais disposto a compactuar com o subdesenvolvimento que os modelos e a governação têm imposto à nossa Região.
Moura defende Linha do Tua
Candidato lembrou que
foi Cavaco Silva que fechou “185 dos 250 quilómetros das linhas férreas
do distrito de Bragança”
O candidato presidencial Defensor Moura juntou anteontem, em Mirandela, a sua voz à luta pela Linha do Tua, revelando-se contra a construção da barragem que ameaça submergir 16 quilómetros desta via, escreve a Lusa.
O antigo autarca de Viana do Castelo foi apanhar o comboio à estação do Cachão, viajando até Carvalhais (Mirandela) e ao longo dos únicos 17 quilómetros que ainda permanecem activos na Linha do Tua.
O troço entre Mirandela e Bragança foi encerrado em 1992, durante o governo maioritário de Cavaco Silva, e há dois anos foi suspensa a circulação entre as estações do Tua e Cachão, após uma sucessão de quatro acidentes dos quais resultaram quatro vítimas mortais.
A construção de uma barragem na foz do rio Tua ameaça agora submergir 16 quilómetros do caminho-de-ferro.
«Quero com isto juntar a minha voz ao povo de Mirandela e de Trás-os-Montes fazendo com que este eco possa chegar aos poderes que decidem e que por investimentos transitórios que não valorizam assim tanto o nosso património energético possam ainda vir a encerrar mais um pedaço desta linha de caminho de ferro», afirmou Defensor Moura após a viagem.
O candidato diz-se um defensor dos transportes públicos e do caminho-de-ferro. Aliás, explicou que até é de comboio que faz semanalmente a viagem para a Assembleia da Republica, em Lisboa.
O deputado socialista referiu ainda a «falta de memória» dos portugueses e transmontanos, lembrando que foi o então primeiro-ministro Cavaco Silva que, na década de noventa, fechou “185 dos 250 quilómetros das linhas férreas do distrito de Bragança”.
«Ele que encerrou, veio aqui pedir o apoio a quem tinha sido prejudicado pela sua acção», frisou.
Apoiante da manutenção e revalorização do comboio para combater a desertificação que «assusta» cada vez mais a região, o candidato revelou-se contra a construção da barragem de Foz Tua, concessionada à EDP.
«Penso que é uma má medida de política no que se refere ao combate à desertificação, construir uma barragem e desactivar o caminho-de-ferro», sublinhou.
O deputado veio a Mirandela a convite do Movimento Cívico pela Linha do Tua, que defende a reactivação da linha até Bragança, com ligação ao TGV, em Vigo (Espanha).
“Penso que não haverá segunda volta”
Conceição Martins,mandatária de Cavaco Silva, está convicta que o actual Presidente da República vai ser reeleito com uma vitória expressiva
Jornal Nordeste (JN): Quais as suas expectativas relativamente aos resultados das eleições presidenciais no distrito?
Conceição Martins (CM): No distrito de Bragança, tal como a nível nacional, o Prof. Cavaco Silva vai ganhar as eleições presidenciais com uma vitória expressiva no próximo dia 23.
JN: Qual é a principal mensagem que a vossa campanha pretende veicular?
CM: Não é com meras palavras nem com radicalismos, criticando tudo e todos, que ultrapassaremos a crise em que o País está mergulhado. É preciso actuar, agir com firmeza e determinação, mas também com a serenidade de quem tem experiência em lidar com situações difíceis e conhecimento da realidade e do rumo que Portugal deve seguir para vencer as dificuldades com que está confrontado. Portugal atravessa um momento decisivo. O que fizermos ou deixarmos de fazer neste momento irá condicionar, de forma irreversível, o futuro das gerações vindouras. Nos tempos que correm, o que está em causa não é apenas garantir a vida no presente. O que está em causa é o futuro dos nossos filhos, o futuro dos nossos netos. Mas é preciso acreditar que os Portugueses são capazes de se erguer e dar o melhor de si nas horas mais adversas, como é a hora que vivemos. Está ao nosso alcance agarrar o futuro com determinação e generosidade e construir um Portugal mais desenvolvido e mais justo. O Presidente da República, não sendo um órgão governante, compete-lhe contribuir para a construção de um futuro colectivo mais seguro, mais próspero e mais justo, definindo e apontando rumos para o sucesso das políticas que conduzam Portugal ao grupo dos países mais desenvolvidos da Europa.
Com o Professor Cavaco Silva, os Portugueses sabem com o que podem contar. É um homem de trabalho, que estuda e analisa profundamente os problemas, que conhece com profundidade os assuntos do Estado e a realidade internacional, mas também a realidade das diferentes regiões do país e as comunidades portuguesas no estrangeiro.
JN: Acha que poderá haver uma segunda volta das eleições ou ficará tudo decidido na primeira?
CM: Penso que não haverá segunda volta. Se todos participarem e a abstenção for baixa, tudo ficará decidido no dia 23, evitando que o país continue em campanha eleitoral.
“É tempo de julgar o Cavaquismo”
Aires Ferreira acusa Cavaco Silva de ser o responsável pelo encerramento da Ferrominas e das linhas ferroviárias da região. Para o mandatário de Manuel Alegre, esta é a altura certa para a população do distrito “fazer justiça”.
Jornal Nordeste(JN): Qual é a principal mensagem que a vossa campanha pretende veicular?
Aires Ferreira (AF): O distrito costuma votar à direita, mas é altura de fazerem justiça e compararem os anos enquanto Primeiro-Ministro do actual candidato do PSD/CDS-PP às Presidenciais. Nos 10 anos em que esteve no Governo, além do IP4 nada foi feito, antes pelo contrário, fecharam linhas de caminho de ferro, nomeadamente as do Sabor, Tua, Douro, Barca d’Alva – Pocinho, bem como as secções da PSP de Macedo e de Torre de Moncorvo, extinguiram a empresa pública Ferrominas, em Carvalhal (Felgar), neste momento há uma empresa privada a querer explorar o ferro que não era rentável. A visão de Cavaco Silva para o Nordeste é um pouco a imagem da sua mandatária distrital, um paraíso da natureza para ser preservado, mas mantendo-nos nas condições a que chegamos nos dias de hoje.
JN: Quais as suas expectativas relativamente aos resultados das Eleições Presidenciais no distrito?
AF: São boas. O candidato Manuel Alegre quis ter uma atenção especial para com o distrito de Bragança, até porque considera que esta região é um distrito que deve julgar o Cavaquismo, se não fosse o actual Governo não haveria IC5 e IP2, tal como a Barragem do Baixo Sabor, obras fundamentais para o distrito. Passou por cá várias vezes. Veio cá em 19 de Março de 2009, apresentar a candidatura, mais recentemente visitou Torre de Moncorvo e foi ao interior mais profundo, às Centieiras, uma aldeia com apenas 21 eleitores, onde eu próprio, enquanto candidato à Câmara, não costumo ir. Teve lá 50% dos votos nas últimas Presidências, ficando à frente de Cavaco, pelo que a ideia de que o candidato em meio rural é Cavaco Silva é errado. Em aldeias como as Centieiras, Manuel Alegre ganhou largamente. Agora voltou outra vez, ontem segunda-feira, e chegou a estar prevista uma outra visita em Dezembro, que acabou por não ser possível concretizar.
JN – Acha que poderá haver uma segunda volta das eleições ou ficará tudo decidido na primeira?
AF: Acho que é possível uma segunda volta. As sondagens há cinco anos também não deram Manuel Alegre à frente de Mário Soares. Eu tenho expectativas que haja uma segunda volta. Há um facto a ter em conta, desde há 30 anos, na disputa entre Sá Carneiro e Ramalho Eanes, que não havia para uma reeleição do Presidente da República, à excepção de Jorge Sampaio, uma campanha tão movimentada e tão acesa como desta vez.