Falta de verbas trava restauro de arte sacra
Pode estar em causa a segunda fase do inventário do património da diocese de Bragança, devido aos atrasos no pagamento das verbas do QREN relativas à primeira fase da candidatura. O projecto ascende a 560 mil euros, mas até à data só foram pagos 18 mil euros.
Apesar deste trabalho ser considerado “muito importante”, pelo bispo de Bragança-Miranda, D. António Montes, a Associação Terras Quentes, entidade que gere o processo, está a deparar-se com obstáculos de ordem financeira por falta de transferência das verbas de uma candidatura ao QREN que mereceu aprovação.
A primeira fase, que termina a 31 de Janeiro, destinou-se a fazer o levantamento e inventariação do património religioso de sete concelhos do sul do distrito de Bragança, nomeadamente Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Macedo de Cavaleiros, Torre de Moncorvo, Vila Flor e Vimioso.
A segunda parte do inventário, nos concelhos de Bragança, Mirandela, Vinhais, Miranda do Douro e Mogadouro, pode estar em risco, uma vez que a primeira candidatura sofreu um corte de 260 mil euros. Esta situação impediu o restauro e a reabilitação das peças mais importantes de cada freguesia, um trabalho que estava previsto. “Essa verba não vai ser paga”, afirmou Carlos Mendes, presidente daquela associação.
Macedo lidera inventário na Terra Quente, seguido de Vila Flor
A primeira fase do inventário, iniciada em Junho de 2004, permitiu o registo de 11.192 peças até aqui oficialmente desconhecidas, de onde se destacam pinturas, imagens de santos, bem como outras relíquias, cuja importância, em muitos casos, tem valor nacional. A inventariação resultou na criação do Museu de Arte Sacra de Macedo de Cavaleiros, onde estão expostas as peças encontradas nas várias freguesias do concelho, em regime de rotatividade. “Aqui se vê a qualidade do património que existe na região. É uma diocese muito rica, muito mais do que se imaginava ”, frisou o responsável.
O concelho onde foram inventariadas mais peças foi o de Macedo de Cavaleiros, com 5122 peças. Muito deste património foi restaurado e reabilitado com apoio da Câmara e das Comissões Fabriqueiras das Paróquias.
Em Vila Flor deram entrada na base de dados 1814, em Alfândega da Fé 1673. Em Torre de Moncorvo foram registados 1401 objectos, em Freixo de Espada à Cinta 848, em Vimioso 208 e em Carrazeda de Ansiães 126.
O recenseamento não abrange todas as peças, mas apenas as que têm valor artístico. Inclui a fichagem, descrição e estudo das peças existentes, bem como o registo da memória cripto-artística (obras desaparecidas).
Nos concelhos que fazem parte da segunda fase do projecto, estima-se que existam mais de 50 mil objectos dignos de serem registados.