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PCP contesta pagamento de transporte de doentes

PCP contesta pagamento de transporte de doentes
  • 10 de Fevereiro de 2011, 11:20

O pagamento do transporte de utentes com rendimentos acima do salário mínimo nacional é contestado pelo PCP, que exige a revogação do despacho ministerial que determina novas regras na deslocação de doentes não urgentes.
Numa conferência de imprensa que decorreu em Bragança, o deputado Agostinho Lopes afirmou que esta medida põe em causa a igualdade de todos os cidadãos ao Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Os comunistas visitaram Miranda do Douro, um concelho limítrofe, para perceberem as implicações das novas regras para as populações que têm que percorrer dezenas e, até, centenas de quilómetros para terem acesso à saúde.
Agostinho Lopes afirma que, apesar de o governo ter recuado ao isentar os hemofílicos e doentes oncológicos, a situação é inaceitável e a região transmontana poderá ser uma das mais afectadas por esta medida. Numa visita à corporação de bombeiros de Miranda do Douro, os comunistas inteiraram-se dos preços “astronómicos” que os doentes vão ter que pagar.

Utentes vão ter que pagar 77 euros para vir de ambulância de Miranda a Bragança

Segundo Agostinho Lopes, uma viagem de ambulância até Bragança fica em 77 euros, o valor sobe para 160 euros no caso da deslocação ser até Vila Real, enquanto para o Porto os utentes têm que pagar 265 euros pelo transporte. “Mesmo para uma pessoa que ganhe 3 mil euros por mês, se tiver que ir três ou quatro vezes ao Porto tem um problema sério. Mas sabemos que os ordenados nesta região são bem mais baixos”, acrescenta o deputado.
No concelho do Planalto, os comunistas ouviram histórias dramáticas de pessoas sem recursos financeiros que necessitam de se deslocar de ambulância a unidades de saúde. “Foi-nos relatado o caso de uma senhora que vive numa aldeia do concelho de Miranda, que é portadora de uma deficiência motora, que veio ao Hospital de Bragança a uma consulta e o médico negou-lhe a credencial. Agora tem uma conta de 52 euros para pagar aos bombeiros e recebe uma reforma de, apenas, 120 euros. O problema agrava-se ainda mais porque vai precisar de vir a mais consultas à capital de distrito”, relata Agostinho Lopes.
O deputado do PCP exige ao governo que recue nesta medida que põe em causa a saúde das pessoas e lembra que os transportes públicos não são uma alternativa para quem vive no Nordeste Transmontano, visto que os horários dos autocarros não são compatíveis com as consultas.
Agostinho Lopes mostrou-se, ainda, preocupado com a possível exploração de quarto junto a Quintanilha e com o encerramento de vacarias no Planalto.

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