O “Rey” comanda
Os homens não se medem aos palmos. E “Sua Alteza o Vagabundo” dignou-se a comprovar o facto. Foi a mostra do álbum de hip hop interpretado em Bragança por Rey, na quinta-feira passada. O Klaustrus serviu de décor para uma actuação bem conseguida do rapper gaiense. Com músicas do seu último trabalho e alguns improvisos certos no momento exacto, Rey sanou as hostes numa imaculada noite brigantina. Ele tombou paredes e subiu as rotações ao red line com rimas explosiva, mas nada de mais para um veterano da cena underground duriense.
“Este é o meu primeiro álbum. Eu sempre estive activo e fui gravando compilações, mixtapes, colectâneas, para além dos meus projectos individuais, mas nunca me quis aventurar em algo que pudesse transformar a minha música num produto comercial”, assinou Rey, para quem o seu público, o bairro e a sua arte, assumem uma importância tão vital como o ar que se respira.
Para além de terem actuado em conjunto, os “Fado Vadio”, dupla constituída por MK e Krane, apresentaram, também, as previews das suas mixtapes a solo. “AVC – Ataque Verbal Colectivo” e “ De dentro de mim”, respectivamente, espalharam ritmo e poesia em doses extra-familiares de introspecção.
“A minha mixtape AVC estará concluída dentro de um mês, mês e meio. Faltam-me só algumas participações, pois, como o próprio nome indica, Ataque Verbal Colectivo, é só faixas com participações, excepto uma a solo”, revelou MK, o artista que pensa e organiza estes eventos enraizados na cultura ocidental do século XXI.
Depois do álbum “Capítulo Obsceno”, em 2007, cujas mil cópias esgotaram rapidamente, o jovem brigantino continua inundado de projectos e espera lançar outro trabalho, agora, em grupo, dentro do prazo máximo de dois anos.
Na noite, houve, ainda, espaço para Incomum, que também aproveitou para lançar umas rimas em mais uma hip hop session “à moda antiga”.