Moncorvo luta pelo SAP
Mais de três centenas de pessoas manifestaram-se, na passada quarta feira, em frente ao Centro de Saúde e à Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, contra o encerramento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP).
Por entre palavras de ordem, bandeiras negras e um sentimento de indignação e revolta, os utentes reclamaram a manutenção do SAP, de forma a servir os interesses de uma população considerada “envelhecida”.
A população não se conforma com a decisão tomada pelo Ministério da Saúde de encerrar o SAP, considerando que “as pessoas do interior terão de ter os mesmos direitos e cuidados de saúde que os seus cidadãos do litoral”.
Em marcha lenta, os manifestantes dirigiram-se para o edifício do Paços do Concelho, onde a recém-constituída Comissão de Utentes do Centro de Saúde de Torre de Moncorvo (CUCSTM), entregou uma moção, que seguirá, agora, para o Ministério da Saúde e para o gabinete do primeiro–ministro.
O membro da CUCSTM, Adriano Reis, considera que a moção é a face visível da reivindicação e da luta dos utentes contra o encerramento do SAP.
“Entregámos o documento na Câmara, para que seja dada a conhecer a nossa indignação à ministra da Saúde e ao primeiro-ministro. Vamos continuar a lutar com todas as nossas forças para que esta situação seja repensada”, adiantou o responsável.
Moncorvenses entregam moção na autarquia local a reivindicarem a reabertura do SAP na vila
Na moção pode ler-se que o encerramento do SAP em Torre de Moncorvo “é uma medida que afecta gravemente os interesses e os direitos dos moncorvenses”.
A reabertura do SAP e o reforço dos meios existentes (humanos e técnicos), de forma a garantir “que os cuidados primários de saúde da população são prestados de forma eficaz” é outra das pretensões.
“Todos temos que lutar contra este direito. Acho que é uma vergonha o encerramento do SAP. Os idosos não têm dinheiro para pagar as deslocações para a Urgência do Centro de Saúde de Vila Nova de Foz Côa”, explicou Marisa Maçorano, utente e funcionária do centro.
Por seu lado, a utente Ernestina Bordalo, a residir em Torre Moncorvo há pouco mais de três anos, disse ser inadmissível não haver serviços de saúde com condições para o atendimento das pessoas. “Aqui somos cidadãos de segunda, isto é uma miséria”, assumiu a utente.
Caso as reivindicações feitas hoje não sejam atendidas, a CUCSTM promete outras formas de luta até conseguir de novo o SAP na vila transmontana.