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Carnaval genuíno em Vila Boa

Carnaval genuíno em Vila Boa
  • 16 de Março de 2011, 08:33

Caretos e marafonos saíram à rua em Vila Boa, no concelho de Vinhais, para festejar o Carnaval. Diabruras, farinha e muita animação marcaram os festejos carnavalescos nesta localidade do Nordeste Transmontano, que teima em manter viva esta tradição que se perde no tempo.
Aqui não há samba, nem carros alegóricos, reinando a alegria e a boa disposição proporcionada pelos mascarados vestidos com fatos coloridos e com os chocalhos ruidosos. Por sua vez, os marafonos encarnam diversas personagens e espalham farinha pelos transeuntes, oferecendo, se seguida, um rebuçado como forma de desculpar o acto atrevido.
Mas como é Carnaval ninguém leva a mal e a população desta aldeia do concelho de Vinhais mostra-se satisfeita por se manter viva uma tradição ancestral que para além da alegria também contribui para que Vila Boa seja uma localidade procurada por pessoas dos centros urbanos, mas também da vizinha Espanha.
“É o Carnaval genuíno. Aqui não é nada encenado. As brincadeiras saem de forma natural. O dia de Carnaval também serve para confraternizar, então os caretos entram nas adegas para deitar o Entrudo fora e bebem um copo com o dono da casa”, explica o artesão de máscaras em madeira, Tozé Vale.

População recorda os tempos em que se atirava cinza e se realizavam os casamentos entre raparigas e rapazes solteiros

A animação é constante e os mascarados conseguem interagir com a população que não se disfarça e com os visitantes, que procuram captar, através da objectiva, todos os momentos, para mais tarde recordar.
Os tempos mudaram e a população mais antiga recorda os tempos em que o Carnaval em Vila Boa era uma festa ainda maior.
“Quando eu era rapariga nova vestíamos um burro, enfeitávamos a carroça, vestiam-se duas raparigas de rainhas e os máscaras iam a puxar a carroça. Depois dançávamos no baile”, salienta Maria Alice Afonso, de 70 anos.
Antigamente, à farinha deitada pelos marafonos juntava-se a cinza, tornando as brincadeiras mais penosas para quem gostava de assistir a esta tradição. “Cada um espalhava o máximo de farinha e cinza que conseguia. Então quando vinha algum rapaz de fora era carregado de farinha”, realça a habitante.
Os casamentos também caíram em desuso. “Casavam os rapazes com as raparigas solteiras. Depois os rapazes iam a casa das raparigas deitar o Entrudo fora e dar um abraço”, conta Maria Alice Afonso.
A população de Vila Boa procura, agora, manter viva a tradição de Carnaval, para não deixar que se perca, como aconteceu com a Festa dos Rapazes, que se realizou pela última vez em 1943.

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