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Lobos ameaçados pelo Homem

Lobos ameaçados pelo Homem
  • 16 de Março de 2011, 08:20

Informar e desmistificar a “animosidade” criada em torno dos lobos foi o objectivo de uma série de actividades que decorreram no passado fim-de-semana, em Duas Igrejas, concelho de Miranda do Douro, com a participação de técnicos, pastores e população em geral.
Segundo Mónica Almeida, representante do grupo “O Lobo”, se esta espécie desaparecer, todo o ecossistema ficará mais pobre. “Há zonas no país onde praticamente já não existem lobos. Temos de abordar a espécie de uma forma mais científica e menos empírica, de forma a evitar a extinção deste predador”, sustenta a ambientalista.
Na opinião dos técnicos, o lobo tem um papel “muito útil” na natureza, já que se trata de “um predador de topo”, cuja principal função é a “limpeza” do ecossistema de animais fracos ou doentes. “Os novos conhecimentos sobre este animal estão pouco divulgados e é necessário sensibilizar a opinião pública para estes aspectos”, considera Mónica Almeida.

Actualmente não existem mais do que 400 animais espalhados por todo o país

Segundo a especialista, a população do lobo corre riscos de extinção, em especial a sul do rio Douro. “Na parte sul, a população está ameaçada, enquanto a norte cruza-se com as espécies do lado espanhol, tornando-se mais estável”, avança Mónica Almeida.
De acordo com a especialista, “em Trás-os-Montes, o lobo alimenta-se essencialmente do corso, veado ou javali. No Minho, por exemplo, os ataques dos lobos incidem sobre animais que são pastoreados ao ar livre, tais como cavalos ou vacas”.
Na opinião do veterinário e membro da associação ALDEIA, João Rodrigues, desde os anos 30 aos anos 80 que há registo de uma recessão no efectivo desta espécie, e tempos considerada cinegética. “Há uns anos, quem matasse um lobo tinha feito algo de bom para a comunidade e era bem visto pela população”, recorda o médico.
Actualmente não existem mais do que 400 animais espalhados por todo o país, que cobrem áreas com grande dimensão. “Tem de se perceber que cinco ou seis animais como o lobo podem patrulhar uma área de 150 quilómetros quadrados”, afiança João Rodrigues.

Pastorícia
Indemnizações atrasadas

Os prejuízos causados pelas investidas dos lobos e os atrasos no pagamento das respectivas indemnizações também dominaram o debate que decorreu em Duas Igrejas.
O pagamento das indemnizações está atrasado cerca de seis meses. Nós achamos que deveria ser feito de imediato, para não haver sobressaltos nas populações”, sublinha Isabel Sá, da associação ALDEIA.
Os dirigentes da ALDEIA e do grupo “O Lobo” consideram que falar de temas relacionados com estes predadores envolve sempre alguma polémica, já que o animal “não está bem visto na sociedade”.
Por seu lado, Lázaro de Castro, pastor de profissão, entende que os lobos só atacam quando têm fome, e por vezes os mitos em torno daquele animal, não passam disso.
“Os lobos atacam em silêncio. Os principais aliados dos pastores são os cães de gado. Os lobos têm medo não só dos cães, como dos pastores,” afiança o pastor.
Segundo Lázaro Castro, “os lobos conhecem o seu território e tanto atacam de dia como de noite, pois é um animal que “patrulha” a sua zona e só se intimidam na presença dos cães e dos pastores”.
Aliás, os pastores são unânimes em afirmar que, com a introdução de medidas de “protecção” do ambiente, relativas à limpeza de carcaças de animais mortos no campo, os lobos “aproximam-se” cada vez mais das populações.

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