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Gralhós preserva Festa do Ramo

Gralhós preserva Festa do Ramo
  • 23 de Março de 2011, 08:55

O Domingo Gordo é um dia de festa na aldeia de Gralhós, freguesia de Talhinhas, no concelho de Macedo de Cavaleiros. Aqui a população reúne-se depois da missa dominical para arrematar o ramo, que é composto por doçaria, fumeiro, fruta e outros géneros oferecidos pela população.
“É de realçar o facto de ser o povo que dá as coisas para fazer o ramo e depois volta a comprar”, enaltece o secretário da Junta de Freguesia de Talhinhas, Amílcar Brás.
As roscas são o doce típico do ramo. Durante uma semana, as mordomas da festa não têm mãos a medir para amassar cerca de duas centenas de roscas para serem leiloadas no Domingo Gordo. Farinha, açúcar, manteiga, azeite e fermento são os principais ingredientes deste doce, que nesta aldeia também é confeccionado por altura da Páscoa.
“Aqui não há casa nenhuma que não faça este doce na Páscoa. São as roscas e o folar”, enfatiza Fernando Moras, de 79 anos.
Maria Ângela é mordoma da Comissão de Festas há cinco anos e conta como é constituído o ramo, que tem vindo a crescer ao longo dos anos. “O ramo é composto por 170 roscas, talaças, rosquilhas, fruta, bolos, chouriços, salpicões, entre outras coisas que as pessoas queiram oferecer aos nossos santos. Neste dia o povo junta-se e leiloamos tudo”, conta a mordoma.
Esta habitante de Gralhós lembra que são os próprios mordomos que cantam os Reis em Janeiro e as pessoas dão aquilo que têm na devoção.

Dinheiro angariado no leilão do ramo já reverteu para o arranjo da capela de S. Tiago e para melhorias na área envolvente ao Santuário de N. Srª de La Sallete

No dia da Festa do Ramo, uma rosca pode ascender aos 25 ou 35 euros e um dos ramos laterais pode variar entre os 70 e os 100 euros. Já a coroa é a que é arrematada por um preço mais elevado, variando entre os 250 e os 400 euros.
“Apesar da crise este foi um ano bom. Também fizemos o baile, onde vendemos bebidas, e deu lucro”, enaltece Maria Ângela.
Antigamente, o ramo era feito com uma estrutura em madeira e transportado por quatro homens da aldeia. Hoje, a estrutura é de ferro, para aguentar com o peso, e é transportado em cima de um tractor.
Este ano, a Festa em honra de S. Tiago e de Nossa Senhora de La Sallete realiza-se nos dias 17 e 18 de Setembro, uma romaria grandiosa que reúne um grande número de fiéis.
Com as verbas angariadas na Festa do Ramo nestes últimos cinco anos, Maria Ângela conta que foram feitas casas de banho no Santuário de Nossa Senhora de La Sallete e foram feitos arranjos na casa onde as pessoas costumam passar nove dias para fazerem as suas orações. O dinheiro deu, ainda, para colocar o telhado à capela de S. Tiago, que é, igualmente, um ex-libris da aldeia.
A fé em Nossa Senhora de La Sallete remonta à época em que os rapazes da aldeia iam para a guerra colonial. “Morreram muitos daqui da zona, mas daqui do povo houve muitos que estiveram em perigo, mas os pais valeram-se de Nossa Senhora que os conseguiu salvar”, conta Maria Ângela.
Do alto do santuário de Nossa Senhora de La Sallete vislumbram-se paisagens verdejantes e tem-se uma visão ampla sobre as localidades dos concelhos de Bragança e Macedo de Cavaleiros que circundam Gralhós.

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