Região

Os Jornais pelo Mundo

  • 23 de Março de 2011, 08:37

Em grande parte do mundo, os jornais nasceram sobretudo no século XIX como porta-vozes de facções de partidos políticos.
Apesar de assim ter sido, uma coisa é certa: hoje, um número cada vez maior de leitores exige notícias desligadas dos partidos políticos.
E isto acontece, porque o jornalismo não é para todos, e deve ter, em primeiro lugar, um objectivo moral. Será acima de tudo a moral da objectividade de descrever as coisas como elas são: a moralidade de ver um acontecimento, ou uma pessoa, ou uma instituição, ou ainda um aspecto da vida tal como ela é.
Daqui a necessidade de a imprensa regional dever utilizar o seu poder para falar em nome dos pobres e desprotegidos, para dar voz àqueles que, nas nossas aldeias, vilas, cidades, região ou mesmo na sociedade e no mundo, estão privados dela.
No distrito de Bragança chegaram a existir 125 títulos entre 1835 e 1985. Hoje o panorama jornalístico é outro.
Cabe sobretudo à Imprensa de inspiração Cristã o dever de procurar ser espaço de evangelização e de denúncia das injustiças sociais, sem nunca fazer de púlpito. “Fazer da mesma púlpito seria desvirtuar a sua própria natureza e desprofissionalizar os que nela trabalham…”
Estas declarações pertencem a D. José Manuel Estepa da Conferência Episcopal Espanhola, que adianta: “Transmitir na rádio ou publicar na imprensa da Igreja uma homilia ou uma conferência não é evangelizar. ”Toda a mensagem exige um “retomo” e “a intervenção personalizada não entra facilmente no receptor, e não se deve fazer”.
Um dos recursos típicos da arte e da profissão de jornalista profissional tem muito a ver, se não mesmo tudo, com uma perfeita redacção, uma boa apresentação gráfica do jornal, grafismo e linguística exemplares; deontologia e cultura geral obrigatórias.
For outro lado, o jornal regional não pode dispensar artigos de opinião, interpretação e análise política ou doutrinal, económica, desportiva e cultural, bem fundamentados por mestres na matéria. Como avisa o ditado popular, “ninguém escreva o que não sabe, nem afirme o que não viu”, para que o jornal seja credível.
E outro dos ditados populares acrescenta ainda: “não digam mal de el-rei entre dentes, porque em toda a parte tem parentes…”
O bom jornalista não deve ceder a forças de pressão políticas, sociais, económicas, porque “quem mostra ao cão que tem medo, convida-o a morder…”
Isto pode acontecer – e acontece certamente – porque a luta no terreno económico, social e político, entre capitalismo e marxismo, também se exerce no sector informativo, posto que a informação é hoje uma técnica constantemente em luta. E daqui a razão de ambos os sistemas procurarem a informação, fazendo do homem uma espécie de cobaia, no qual se experimenta a verdade e a mentira.
O jornalista deve, pois, saber separar a informação do comentário o acontecimento merece um comentário à parte para o colocar no seu contexto histórico, político ou económico.
Infelizmente, certos diários e semanários nacionais acabaram por aderir a projectos que não são jornalísticos, mas político-partidários. E como os tempos são actualmente de grande complexidade, é preciso, dizer também que os jornalistas não são juízes nem advogados, não podendo julgar ninguém, apenas informar correctamente.

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