“Nuclear não, obrigado”
A Câmara Municipal de Mogadouro congratula-se por ter rejeitado, há cinco anos, a instalação de uma central nuclear junto a Bemposta.
O autarca local, Moraes Machado, relembra que, em 2006, que foi contactado por representantes do empresário Patrick Monteiro de Barros, no sentido de criar uma central nuclear na margem direita do rio Douro.
Associada à proposta dirigida à Câmara de Mogadouro estavam “contrapartidas maravilhosas”, não só financeiras, mas também de empresas que trariam para a região massa humana qualificada.
“Hoje, com os problemas vividos no Japão e em outras partes dos globo, julgamos que, apesar das contrapartidas financeiras e sociais, a opção do nuclear não é válida para uma região como o Douro Internacional”, afirma o edil.
Recorde-se que desde a década de 80 que a região do Douro Internacional é considerada como uma zona apetecível para projectos ligados à energia nuclear, tanto no lado português, como em Sayago, já em Espanha.
Estruturas para o armazenamento de detritos nucleares estiveram previstas para Aldeadávila (Espanha), situação que gerou um levantamento popular. “A segurança das instalações nucleares foi sempre um dos pontos de maior discussão. enquanto durou a polémica questão,” reafirmou o autarca.
Na altura, levantou-se uma “grande discussão pública” em torno da questão, com a realização de colóquios sobre “os prós e contas da energia nuclear” e chegou-se, mesmo, a realizar uma reunião extraordinária da Assembleia Distrital, para analisar a situação. “Dizia-se que havia métodos de segurança muito avançados, mas os argumentos nunca convenceram,” frisou o edil.
Moraes Machado garante que só “aceitaria” a instalação de uma central nuclear no concelho, depois de “esgotadas” todas as outras opções energética, como é caso da energia eólica, biomassa ou foto voltaica.