Pedras esculpidas pela natureza em Montesinho
Na aldeia de Montesinho guarda-se uma relíquia geológica que pode ser visitada por todas as pessoas que procuram os encantos desta aldeia típica do Nordeste Transmontano. Na Casa das Pedras, Antero Pires apresenta uma exposição ímpar, onde a transformação geológica feita pela natureza se confunde com a mão do homem, dando origem a verdadeiras obras de arte que se assemelham a objectos do quotidiano.
Esta exposição permanente em pleno centro da aldeia de Montesinho é o resultado da recolha levada a cabo por Antero Pires ao longo de 20 anos. O gosto pela geologia levou Antero a recolher uma grande diversidade de pedras em toda a região, mas a maioria dos exemplares expostos foram encontrados em plena área classificada. “Sou eu que recolho todas estas pedras, algumas na zona de Montesinho, outras vieram da ponte de Soeira”, conta Antero Pires.
O coleccionador realça que as rochas são esculpidas pela natureza, sendo da sua responsabilidade apenas a colocação de verniz para imitar o patine que algumas delas perdem quando são retiradas da água.
A mostra encontrada na Casa das Pedras é composta por 99 exemplares que se confundem com objectos típicos da região. Podemos observar pedras em forma de presunto, de almofariz, pantufa, bota da tropa e até há um número 7. “Temos ali o Figo”, graceja Antero Pires.
Destaque, ainda, para uma pedra que foi encontrada no centro da aldeia de Montesinho aquando das obras do saneamento básico, uma verdadeira relíquia que um morador decidiu guardar e entregar a Antero para integrar na sua colecção. “Foi um senhor de cá, como sabia que eu era doido por pedras, guardou-me esta pedra, que tem a particularidade de ter uma pedra mais pequena que encaixa perfeitamente na rocha grande”, explica o coleccionador.
Casa das Pedras exibe exposição de pedras coleccionadas por Antero Pires e catalogadas por geólogos
Todo o espólio que pode ser descoberto na Casa das Pedras foi devidamente classificado por dois geólogos, que, há três anos, apresentaram a colecção de Antero Pires numa conferência sobre Geologia e Coleccionismo.
A exposição de pedras é complementada com a cópia de uma mesa geológica, cedida pelo Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), que interpreta a geologia da região e dá algumas dicas científicas.
Todo este trabalho resulta do espólio encontrado por Antero Pires ao longo dos anos. “Quando estendi as pedras aqui no chão para decidir qual o lugar de cada uma neste espaço olhei para algumas delas e não sabia porque é que as tinha trazido, mas decidi guardá-las porque um dia posso ver nelas o encanto que tinham na altura que as recolhi”, conta Antero Pires.
A entrada na Casa das Pedras para visitar esta exposição é gratuita. Ao longo dos tempos, o coleccionador vai substituindo algumas pedras e quer, agora, aliar o critério estético ao critério geológico. “Pode haver algumas alterações, depois do geólogo Carlos Meireles vir cá classificar algumas que ainda estão arrumadas”, salienta o autor da mostra.
Antero Pires garante que coleccionar pedras é um vício, pelo que vai continuar a coleccionar todos os pedregulhos que encontrar na natureza e lhe despertem interesse.