CHNE com 15 milhões de prejuízo
Os números foram apresentados, na passada terça-feira, pelo conselho de administração do CHNE, que justifica estes resultados com a diminuição das transferências de financiamento do Ministério da Saúde nos últimos cinco anos.
“ Crescemos a actividade, quer em cirurgias, quer em consultas, melhoramos a tecnologia e os serviços médicos, e em termos de receitas estiveram-nos sempre a cortar”, constata o presidente do conselho de administração do CHNE, Henrique Capelas.
Os números revelados mostram que as receitas transferidas do Ministério em 2005 totalizavam os 66 milhões de euros, tendo diminuído para 52 milhões no ano passado, o que representa um decréscimo na ordem dos 20 por cento. “Com menos dinheiro conseguimos aumentar a actividade e o investimento. Em cinco anos investimos mais nos três hospitais do que aquilo que se tinha investido em 20 anos”, salienta o responsável.
Nas contas do CHNE pesa a alteração do pagamento dos actos médicos através dos sub-sistemas de saúde, que deixaram de ser pagos directamente aos hospitais e passaram a ser pagos ao Ministério, que por sua vez transfere essa verba para as unidades hospitalares, de acordo com a sua classificação. “Com esta mudança só este ano perdemos 4,3 milhões de euros”, assevera Henrique Capelas.
Ministério da Saúde não aproveita capacidade produtiva ao nível das cirurgias de ambulatório do CHNE
Na óptica do responsável, a actual classificação é penalizadora para as unidades hospitalares do interior. Por isso, Henrique Capelas defende que este sistema de classificação deve ser reavaliado, visto que o CHNE está a ser “fortemente penalizado” por este sistema de financiamento, que considera um sistema de “promoção da doença”. “Nos contratos-programa que as unidades hospitalares fazem com o Ministério somos pagos ao acto, quando o sistema mais correcto é o sistema por capitação pelo número de habitantes, apostando mais na medicina preventiva”, defende Henrique Capelas.
A desertificação também traz custos acrescidos para o CHNE, que viu aumentar a factura dos transportes. “No Nordeste Transmontano são gostos, anualmente, 5 milhões de euros em transportes”, contabiliza o presidente do conselho de administração do CHNE.
Apesar das unidades hospitalares do Nordeste Transmontano terem aumentado o número de consultas e cirurgias (ver caixa), o CHNE não conseguiu aumentar as receitas de forma a ter resultados positivos. “Os cortes que temos tido ao nível das receitas não é compensado com aumentos ao nível da quantidade de tratamentos, porque a região tem pouca gente e não temos possibilidade de tratar pessoas de outras regiões”, justifica Henrique Capelas.
O responsável afirma mesmo que o CHNE tem capacidade para aumentar a produção ao nível da cirurgia de ambulatório, um serviço que já ofereceu ao Ministério da Saúde, mas não obteve qualquer resposta. “Em 2009, o CHNE fez uma proposta ao Ministério, disponibilizando a sua capacidade, mas não teve resposta”, acrescenta Henrique Capelas.