Cogumelos: “é preciso olho vivo”
A acção juntou mais de meia centena de pessoas e centralizou-se na
apanha e identificação de Patorras (Morchella esculenta), um fungo de
“elevado” valor gastronómico, dadas as suas qualidades organoléticas,
aromáticas e cromáticas.
Porém, apesar das apetências gastronómicas, o cogumelo é ainda
“pouco conhecido”, bem como as suas formas de confecção, já que o
fungo apresenta “alguma toxidade”. “É preciso ter alguns cuidados
quando se encontram e confeccionam pantorras. No entanto, a toxina
do cogumelo é diluída com duas ou três lavagens com água quente”,
alerta Guilhermina Marques, investigadora da Universidade de Trás-os-
Montes e Alto Douro.
Apesar do valor económico dos fungos, em Portugal ainda não há legislação que regulamente o sector e por esse motivo existe “um vazio legal” que não permite a “certificação” das mais variadas espécies para que
se tornem numa mais valia.
Por seu lado, Manuel Moredo, presidente da Associação Micológica
“A Pantorra”, sedeada em Mogadouro, garante que o diploma que possa
vir a “regulamentar” o sector da micologia em território nacional ainda
está atrasado.
Isto apesar de o Ministério da Agricultura ter já conhecimento de
todo trabalho realizado por vários especialistas nesta matéria.
“Mais que criar um diploma que regulamente o sector, o mais importante
seria que as populações soubessem, de uma vez por todas, aquilo que
se deve apanhar e comer e não andar atrás de conhecimentos empíricos,
na maioria falsos, que podem levar à morte”, frisou o dirigente associativo.
Em Portugal ainda não há legislação que regulamente o sector
O tempo primaveril, aliado às cores que ornamentam a paisagem
transmontana e os aromas silvestres deliciam o olfacto, sendo um desafio,
nem sempre bem sucedido, para se encontrar uma Pantorra, dada a sua
raridade.
Apesar das excelentes condições para a apanha de Pantorras e de as
condições naturais serem óptimas, esta espécie de cogumelos para serem
degustados, numa ceia micológica, tiveram de ser adquiridos secos
em Espanha.
“Só para se ter uma ideia, um quilo de Pantorras secas equivale a
10 quilos do fungo em fresco, sendo comercializado a cerca de 230 euros
o quilo”, explicou Manuel Moredo.
Actualmente é possível degustar cogumelos silvestres ao longo de todo
ano apesar de “não haver legislação” que permita a “comercialização do
ponto de vista legal”.