Idosa sequestrada pela filha
As duas suspeitas foram detidas pela Polícia Judiciária de Vila Real por suspeita de terem sequestrado Ermelinda Costa durante sete dias na sua casa em Paredes.
À saída do Tribunal Etelvina, filha da vítima, mostrou-se arrependida e justificou o acto pelo facto de ter sido maltratada pela mãe desde criança. A suspeita disse, ainda, que não premeditou o sequestro e que a alegada cúmplice, Eugénia, irmã do namorado da mãe, apareceu de forma casual.
Em declarações à Rádio Brigantia, Etelvina Costa afirma que foi tudo muito rápido. “Ela só foi lá tomar um café comigo e não imaginava que a minha mãe estivesse lá. Eu queria que a minha mãe ficasse cá até o Daniel se ir embora. Sempre cuidei dela”, conta a suspeita de sequestro.
Etelvina Costa confirma que foi por causa do namorado da mãe que decidiu prendê-la em casa durante uma semana. “Fez tudo para me expulsar de casa, mas aquela casa foi construída por mim e pela minha irmã. Nós trabalhávamos como escravas na altura, de dia e de noite, e o namorado da minha mãe é que é o culpado de tudo. Desde Agosto passado que ele andava a incitar a minha mãe para que me pusesse na rua”, conta a filha da sequestrada.
Quem ainda não se refez do susto foi Maria Ermelinda Costa, que não consegue acreditar no que a filha lhe fez. “Foi chocante para todo o mundo. Isto foi uma coisa que só o Hitler podia fazer, porque um ser humano não fazia isto”, realça a vítima.
Ermelinda Costa, de 68 anos, teme pela sua segurança com as alegadas sequestradoras em liberdade
Ermelinda relata, ainda, maus-tratos durante os sete dias que esteve presa. “Não me deram quase nada de comer. Era o café da manhã e à uma e meia da tarde. Eu perguntei-lhe o que queria de mim, e até disse que lhe dava a casa, nem que fosse morar para debaixo da ponte. Mas meteu-se-lhe aquilo na cabeça e tinha que fazer mesmo”, conta a idosa.
A vítima acusa, ainda, a filha de a querer manter na solidão. “Ela não queria que ninguém se aproximasse de mim e que eu refizesse a minha vida de novo. Ela queria fazer de mim escrava para lhe fazer tudo a ela e aos filhos. Eu já trabalhei uma vida inteira e agora chegou a hora de descansar e aproveitar a minha vida com um companheiro que eu tenho”, conta a sequestrada.
Ermelinda Costa nasceu na Índia há 68 anos, mas a vive em Portugal há mais de 50. Depois deste acontecimento “chocante” garante que não consegue perdoar a filha. “Não tem perdão. Eu ainda lhe disse para me soltarem que eu não as acusava, mas elas chegaram ao limite”, salienta Ermelinda Costa.
Ermelinda desmente a filha e diz que ouviu as duas agressoras a planear tudo e está mesmo convencida que a queriam matar.
O cativeiro durou sete dias e sete noites, até que o companheiro acabou por dar o alerta às autoridades. Foi nessa altura que Ermelinda Costa aproveitou para escapar.
A idosa queixa-se, ainda, que lhe desapareceram valores de casa e teme pela sua segurança.