Governador civil em guerra com a GNR
Em declarações à agência Lusa, António Fernandes queixou-se de falta de dinheiro para gasóleo, reparações e consumíveis.
A culpa é da crise, diz António Fernandes. Em declarações à Lusa, o comandante distrital da GNR garante que está bem servido de meios humanos e materiais, mas que o dinheiro para gasóleo, reparações e consumíveis “não vai chegar para todo o ano”.
Contactado pelo Jornal Nordeste e pela Rádio Brigantia, António Fernandes recusou prestar declarações sobre o assunto.
Na entrevista concedida à agência de notícias do Estado, garante, no entanto, que “este ano, possivelmente, não vamos conseguir fazer tantos [quilómetros] porque os combustíveis não vão permitir”.
De acordo com a Lusa, em 2010, a GNR fez três milhões e quatrocentos mil quilómetros num trabalho de defesa e segurança das pessoas, um número que, nas previsões de António Fernandes, este ano não irá ser repetido devido às dificuldades financeiras que já se fazem sentir.
Governador civil diz que as declarações do comandante da GNR contribuem para aumentar o sentimento de insegurança dos cidadãos
Quem não gostou das declarações de António Fernandes foi o governador civil de Bragança. Jorge Gomes diz mesmo que estas declarações, contribuem para aumentar o sentimento de insegurança dos cidadãos. “A GNR tem um comando geral próprio e todas estas questões são discutidas internamente entre o Comandante Geral e o ministro. Nunca foram discutidas na praça pública. É a primeira vez que oiço um comandante territorial lamentar-se que já não vai ter dinheiro para consumíveis, reparações ou eventualmente para combustíveis”, começou por dizer, sublinhando que lamenta “essas afirmações”. “Primeiro, a ser verdade, devem ser tratadas internamente. Serem tratadas publicamente parece-se um pouco leviano porque, mais não fosse, os cidadãos têm direito a sentir-se seguros e tranquilos. E esta mensagem de um comandante distrital está a pô-los intranquilos”, explica, garantindo que vai “resolver o problema junto do Ministério.”
Jorge Gomes lamenta nunca ter tido conhecimento destas queixas antes de António Fernandes as ter feito publicamente. “Não e acho estranho. A falha existe mas existem mecanismos próprios para tratar destas questões. Não se pode pôr, de forma nenhuma, em causa, a segurança das pessoas, quando, ainda por cima, se diz que é por causa da crise. Não cabe na cabeça de ninguém. Foi um momento menos feliz do senhor comandante”, diz Jorge Gomes, aconselhando António Fernandes “a tirar ilações e assumir a responsabilidade daquilo que disse”.
O governador civil está convencido, até, que estas declarações têm uma motivação política. “Pode ter um carácter de desgaste e eu não quero levar as coisas para esse campo”.
Jorge Gomes acredita ainda que estas declarações não reflectem o sentimento da GNR do distrito, dizendo ser a posição de apenas uma pessoa e não da corporação.
António Gonçalves Rodrigues