Região

Bactéria à solta no Hospital de Bragança

Bactéria à solta no Hospital de Bragança
  • 18 de Maio de 2011, 07:43

Recorde-se que a unidade estava a acompanhar dois casos de pneumonia contraída por legionella nas instalações do hospital. O primeiro, uma mulher de 75 anos, já recebeu alta. O segundo caso, outra mulher de 43 anos, entrou no hospital a 20 de Abril e faleceu sábado.
“Foi uma doente que entrou cá com uma infecção intra-abdominal, que se complicou com esta pneumonia por legionella” explica Domingos Fernandes, médico responsável pela unidade de cuidados intermédios do hospital de Bragança.
O médico salienta, contudo, que não se pode comprovar que tenha sido a bactéria a causa da morte da utente.
“A infecção da doente era grave, portanto existia um risco de vida elevado já antes da infecção pela bactéria legionella”, afirma.
Além disso, Ana Pires, a vítima, era portadora de Trissomia 21, uma doença cuja esperança média de vida ronda os 40 anos. Por isso, a família já estava preparada para a sua morte.
Um dos irmãos da vítima diz que não foi informado pelos médicos sobre a infecção de legionella.
“Eu não fui informado de nada. O médico chamou-me lá e disse-me que a minha irmã estava muito mal e que tinha uma pneumonia aguda. Não funcionavam nem os rins, nem os pulmões, nem o fígado ” refere Virgílio Pires, acrescentando que o clínico lhe disse ainda que a irmã “teria poucas horas de vida e que não sabia se passaria a noite, mas ainda sobreviveu durante mais cinco dias”.

Auto-tanques dos Bombeiros garantiram água na Unidade Hospitalar de Bragança
para evitar ruptura
no abastecimento

O Hospital de Bragança foi obrigado a desinfectar as canalizações, depois de ter sido detectada a bactéria legionella na água. As análises foram levadas a cabo por técnicos da Direcção Geral de Saúde (DGS), na sequência de dois casos de contaminação por legionella confirmados em duas mulheres que estiveram internadas no serviço de Medicina daquela unidade.
Fonte do Gabinete de Comunicação do Centro Hospitalar do Nordeste (CHNE), explicou ao Jornal NORDESTE que, após ter sido confirmado o primeiro caso, foram tomadas medidas profiláticas, nomeadamente o isolamento do local e a injecção de água a altas temperaturas na canalização.
Esta bactéria foi detectada no 4º piso, onde a canalização ainda não foi substituída, o que significa que a legionella tinha condições favoráveis para se alojar.
Os resultados das análises foram conhecidos na passada quinta-feira e, no dia seguinte, o CHNE implementou as medidas aconselhadas pela DGS para eliminar a bactéria. Durante a noite da passada quinta-feira e madrugada de sexta-feira não houve água para consumo nas torneiras, devido às elevadas quantidades de hopoclorito de sódio que foram introduzidas nas canalizações.
Esta desinfecção obrigou o CHNE a pedir ajuda aos Bombeiros Voluntários de Bragança para repor os níveis nos depósitos de abastecimento. Esta medida de precaução foi tomada para evitar uma ruptura no abastecimento de água ao hospital, que poderia pôr em causa o seu normal funcionamento.

Proponha um artigo de opinião:
info@pressnordeste.pt
Abrir
Written By
admin