Região

“A meta é a eleição de um deputado”

“A meta é a eleição de um deputado”
  • 1 de Junho de 2011, 07:46

Jornal Nordeste (JN) – Uma das críticas que mais se ouve é o facto de os candidatos não serem da região. A Liliana é da região, mas, actualmente, está a morar fora durante a semana. Considera que isso será um entrave para a população?

Liliana Fernandes (LF) – Antes pelo contrário. Estou fora não por opção, mas por obrigação, porque não tenho oportunidade de regressar à terra. É nesse sentido e com essa perspectiva que encaro este desafio, porque, tal como eu, muitos jovens e menos jovens são forçados a emigrar e a deslocar-se para outras zonas do País.
Aliás, não há muito tempo que alguém fazia a observação que em Lisboa há mais transmontanos do que no próprio distrito e infelizmente isso é uma realidade. Aquilo que nós pretendemos é o regresso das pessoas à terra.

JN -E através de que propostas pensam conseguir fazer isso?

LF – Através do investimento na região. Nós temos propostas concretas de investimento a nível local, em termos de emprego queremos revitalizar a região, pretendemos contribuir um pouco nesse sentido. O nosso programa é para o país e não específico para a região.

JN – No distrito de Bragança há apenas uma mulher presidente de Câmara. Como têm sido as reacções das pessoas à sua candidatura?

LF – É positivo. Vêem com bons olhos uma mudança.

JN – Mas acha que no distrito há algum tipo de discriminação em relação às mulheres na política?

LF – Não penso que haja discriminação. Muitas vezes, é uma falta de oportunidade e até “conflitos” entre a vida pessoal, a vida familiar e toda uma vida política.

JN – Ou seja, não estão criadas todas as condições para as mulheres entrarem na política, apesar da questão das quotas. Essa seria uma das propostas do Bloco?

LF – É uma das coisas pela qual o Bloco se pauta, ou seja dar oportunidade e igualdade, quer a homens, quer mulheres.

JN – Há dois anos o Bloco de Esquerda conseguiu subir bastante em termos de votação. Vinha com uma votação de cerca de dois por cento e teve um resultado superior aos seis por cento. Nesta altura qual é o vosso objectivo?

LF – O nosso objectivo é aumentar ainda mais essa votação. Acho que é possível e é por isso que estamos aqui.

“Defendemos a execução da A4 sem portagens e debatemo-nos pela reposição da via-férrea”

JN – Qual a meta em termos de resultados finais?

LF – A meta é a eleição de um deputado.

JN – Conseguindo eleger um deputado, o que defenderia na Assembleia da República para esta região?

LF- Neste momento defendemos a execução da A4 sem portagens, debatemo-nos pela reposição da via férrea e depois as prioridades a nível nacional, como os cuidados de saúde de proximidade, a educação acessível e gratuita para todos. Ou seja, sempre nesse sentido de programa nacional, atendendo à especificidade da região.

JN – Quanto às acessibilidades, uma das coisas que sempre se falou nas últimas eleições e durante décadas, foi a falta de uma auto-estrada. O Bloco de Esquerda não concorda com esta auto-estrada. Porquê?

LF – Não é específico com a auto-estrada, não concordamos é que seja portajada. Nós na década de 90 tínhamos a EN15, que nos ligava ao litoral, construíram-nos um IP4 que, já na altura, não supria as nossas necessidades, e, neste momento, constroem-nos uma prometida A4 que absorveu o IP4. Não nos parece justo deixar os transmontanos sem uma alternativa, portajando uma auto-estrada que será um meio de ligação, por excelência, ao litoral.

JN – Para além da auto-estrada há mais acessibilidades a serem construídas na região, acha que é um bom investimento para o distrito de Bragança, ou seria um investimento que não defenderia para o distrito de Bragança?

“O Bloco propôs a criação do banco de terras, porque nós temos mão-de-obra qualificada, vários jovens agricultores que pretendem investir na agricultura”

LF – A manutenção das acessibilidades internas é um investimento necessário, mas pensamos que ainda nos falta uma coisa essencial, que são as ligações ferroviárias. Bragança tem uma localização geográfica por excelência, que lhe permite uma ligação rápida, não só a faixa litoral nacional, mas também a Espanha e, consequentemente, ao resto da Europa. Neste momento, não temos uma ligação ferroviária que pensamos que seria um bom ponto de partida para catapultar a economia local. Foi apresentado um projecto de lei do Bloco para um plano ferroviário nacional exequível a dez anos e que nós pensamos ser essencial para esta região. Sempre nos batemos pela não construção da barragem do Tua, pela manutenção da linha do Tua. O nosso objectivo é ver a possibilidade de manter o traçado original.

JN – O que é que o Bloco propõe para resolver os problemas da agricultura no distrito?
LF – O problema dos agricultores é a falta de apoio, uma Política Agrícola Comum, que foi ruinosa para o nosso País, tendo em conta que, neste momento, o País importa cerca de 90 por cento do trigo que consome. Nós precisamos de reinvestir na produção, de ter um pouco mais de auto-suficiência e temos todas essas condições para o fazer. Neste sentido, o Bloco propôs a criação do banco de terras, porque nós temos mão-de-obra qualificada, vários jovens agricultores que pretendem investir na agricultura, muitas vezes deparam-se com a falta de terras. Aquilo que o Bloco propõe é a criação de um banco público em que as pessoas que dispõem dos terrenos, mas já não conseguem mantê-los cultiváveis, arrendem esses terrenos, proporcionando aos jovens a possibilidade de iniciar a sua vida activa na agricultura.

Proponha um artigo de opinião:
info@pressnordeste.pt
Abrir
Written By
admin