CDS luta por um deputado
Jornal Nordeste (JN) – Ambiciona recuperar o deputado que CDS/PP já teve no distrito de Bragança, na década de 80?
Nuno Sousa (NS) – Em 2009, o CDS-PP cresceu três e meio por cento e conseguiu um resultado que foi o quarto melhor resultado desde a sua história aqui no distrito
Naturalmente que, face ao condicionalismo de haver apenas três deputados, tornou-se difícil eleger em 2009. Contudo, atendendo àquilo que nós temos vindo a verificar junto das populações, o patamar de 13 por cento que conseguimos em 2009 é um ponto de arranque para nós podermos, desta vez, lutar com mais afinco para a eleição de um deputado. A lista do CDS é composta por pessoas competentes e profissionais, que vivem e trabalham aqui no nosso distrito.
JN – O distrito de Bragança é um distrito conservador. Acha que é uma vantagem haver uma lista com pessoas da região, ao contrário do que acontece com a CDU e o PSD?
NS – Eu entendo que o distrito de Bragança tem gente válida e com capacidades para exercer funções, quer na Assembleia da República, quer em quaisquer outros cargos. Se outros partidos entenderam optar por alguém de fora, eu não vou questionar isso, porque são questões internas desses partidos. Agora, faço questão de ter ao meu lado pessoas que são do distrito e essa foi uma das questões que eu falei com o Dr. Paulo Portas em relação à constituição desta lista.
JN – Concorda com o investimento que está a ser feito nas novas acessibilidades?
NS – Qualquer pessoa vê que a construção da A4 não deixará qualquer alternativa, pois está a ser feita por cima do IP4. As acessibilidades eram necessárias, mas o distrito não é só betão e auto-estradas. O que nós precisávamos, também, era de políticas de apoio à nossa população, principalmente a mais rural, com serviços de saúde adequados. Não é aceitável estarem a fechar SAP´s, obrigando as pessoas a deslocarem-se e a terem de pagar o transporte, quando as zonas despovoadas e longe dos hospitais deveriam ter serviços de saúde de proximidade.
Para além da auto-estrada, o nosso distrito precisa de políticas que procurem incentivar a criação de emprego e apoiar as nossas pequenas e médias empresas. O CDS quer avançar com uma política que garanta condições necessárias para produzir produtos portugueses. Acredito que isso é uma iniciativa fundamental para a nossa região, que é predominantemente assente em dois sectores, na agricultura e serviços de pequenas e médias empresas.
JN – E o que é preciso fazer para revitalizar o sector agrícola no distrito?
NS – Há que assumir que o sector agrícola é estratégico para o País e, nesta altura de grave crise económica, seria necessário promovê-lo através de investimentos e da agilização do PRODER, que foi uma lástima. Para um programa de 6 mil milhões de euros para todo o território português, entre 2007 – 2013, só tem uma taxa de execução de 30 por cento, o que é muito pouco, dado que estamos a meio do programa. Portugal deverá salvaguardar a manutenção do sector agrícola vivo, produtivo e gerador de riqueza.
As acessibilidades eram necessárias, mas o distrito não é só betão e auto-estradas
JN – Como é que se pode pedir para comprarem um produto nacional, se o estrangeiro está mais barato?
NS – A questão é que os supermercados também têm de ter uma postura de apoiar o que é nacional, mas se estas medidas que acabei de dizer na área da agricultura, se as implementarmos junto dos pequenos e médios agricultores, eles vão ser capazes de escoar mais quantidade dos seus produtos e logo poderem ter preços mais baixos, porque, o que tem vindo a acontecer é que a produção é pequena e torna-se mais cara em relação à produção intensiva de Espanha ou outros países.
JN – A questão das acessibilidades, nomeadamente da auto-estrada, traz também outra questão que são as portagens. Sabe-se que o CDS/PP não é contra e pergunto-lhe se acha que a aplicação de portagens se justifica numa região do interior como Trás-os-Montes, pelos menos imediatamente à construção da A4?
NS – O nosso partido tem o princípio de utilizador-pagador, mas este caso é uma excepção, porque estamos a falar de uma auto-estrada que não tem uma via alternativa e nós aqui vamos ser penalizados. Não havendo uma alternativa à A4, temos de equacionar um modelo de não pagamento de portagens durante um “x” tempo, ou encontrar um sistema compensatório para as populações aqui do distrito. Agora, tudo isto vai depender muito da necessidade de arranjar dinheiro para equilibrar as contas.
Se o CDS estiver no Governo, naturalmente que eu, como residente neste distrito, irei lutar para que haja um sistema compensatório ou de isenção de portagens.
JN – Relativamente a outras acessibilidades, haverá passageiros que justifiquem o caminho-de-ferro aqui na região?
NS – Com a construção da IP4, dos IP2, IC5, o distrito vai estar servido de boas acessibilidades rodoviárias e a tendência é essa, com as pessoas a deslocarem-se cada vez mais nos transportes rodoviários. As linhas de comboio são importantes e acho que este Governo Socialista portou-se mal, deixando algumas linhas desaparecer.
A Troika tem, agora, uma estratégia para tentar transformar a linha do Tua em algo que eu também já vinha a dizer. Aquela linha tinha de ser aproveitada, se não desse para ser aproveitada como meio de transporte, para integrar um projecto com fins turísticos no âmbito intermunicipal. A minha luta seria sempre pela manutenção dessa linha, independentemente da construção da barragem. Há muitas populações que ainda utilizavam essa linha como meio de transporte e esses serviços teriam de ser salvaguardados.