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Ferro ameaça parque eólico

Ferro ameaça parque eólico
  • 8 de Junho de 2011, 09:51

Quem o diz é o presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Aires Ferreira, que acusa a MTI – Mining Technology Investements, a empresa que detém a concessão para fazer prospecções naquela área, de não se preocupar com os interesses locais. As declarações do autarca foram proferidas, ontem, durante um debate subordinado ao tema “As Minas de Trás-os-Montes: Escombros ou património para o desenvolvimento?”, que decorreu na Escola Superior de Educação de Bragança.
Em causa está uma fonte de receitas para o município na ordem dos 10 milhões de euros, em 20 anos, como contrapartida da construção da barragem do Baixo Sabor. “Por muito que deseje o desenvolvimento económico e o ferro pode contribuir para isso, o que é facto é que uma consequência benéfica da barragem está a ser prejudicada por um empreendimento que não há garantia que possa ser concretizado num futuro próximo”, justifica o autarca.
O edil moncorvense afirma que o parque eólico está neste momento em causa, tendo em conta que a empresa que está a fazer as prospecções apresentou um parecer desfavorável relativamente ao projecto mais vantajoso para a empresa que ganhou o concurso para a instalação do parque eólico.

PDM de Torre de Moncorvo chumbado pela Direcção Geral de Energia e Geologia por não salvaguardar as reservas de ferro e urânio

Já o consultor da MTI, Carlos Guerra, apresenta uma versão diferente e afirma que a empresa para a qual trabalha nada tem a ver com o parque eólico. “A própria empresa que vai instalar o parque na Declaração de Impacte Ambiental apresenta duas propostas e admite que a segunda é a que tem um impacto ambiental mais reduzido. A MTI apenas se pronunciou dizendo que também concorda com a segunda proposta, porque é aquela que não interfere com o trabalho que está a levar a cabo”, alega Carlos Guerra.
Por sua vez, Aires Ferreira não se conforma com o facto do projecto do parque eólico poder cair por terra e diz mesmo que os dois projectos só não são compatíveis por “má vontade” da MTI.
“A eólica tem um período de vida útil de 20 anos. O ferro é uma exploração a 100 anos. E estamos a falar de uma jazida que nunca foi explorada. Os aerogeradores depois dos 20 anos são desmantelados. Por isso é má vontade e falta de respeito pelos interesses locais por parte da MTI”, afirma o autarca.
Segundo o edil, a possibilidade das minas de ferro voltarem a laborar também estão a bloquear a aprovação do Plano Director Municipal (PDM) de Torre de Moncorvo. “A Direcção Geral de Energia e Geologia não deu parecer favorável ao PDM, por considerar que não salvaguarda os recursos geológicos. Estamos a falar de 15 por cento da área do município, com ferro e urânio. Já temos a Reserva Agrícola, a Reserva Ecológica, por isso não podemos ter mais 15 por cento do território em que as pessoas não podiam fazer nada na perspectiva de um empreendimento que pode ou não concretizar-se”, conclui Aires Ferreira.

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