“Ganhámos um deputado para o distrito”
Em entrevista ao Jornal Nordeste, o responsável fala da pacificação da estrutura partidária e da necessidade de pôr fim às “divergências funalizadas” na Concelhia de Bragança, para não condenar a vitória autárquica na capital de distrito.
Jornal Nordeste (JN) – O resultado que o PSD teve no distrito de Bragança, nas Eleições Legislativas, pacifica o partido?
José Silvano (JS) – Quando há um objectivo comum, nós ultrapassamos facilmente as diferenças e foi o que aconteceu. É evidente que nós queríamos, e o presidente da distrital queria, ter uma pessoa do distrito a encabeçar a lista dos deputados, porque quando vinham do exterior e eram impostos ao distrito, eram corpos estranhos, pessoas que depois nunca mais ligavam ao distrito e que, mesmo na campanha, nem sequer se identificavam com os valores da região. Com o Dr. Francisco Viegas foi exactamente o contrário. Ele já conhecia muito bem o distrito, pois a sua família está implantada na região. Tem valores e raízes que são transmontanos e, nos sítios por onde passámos e na própria estrutura distrital, as pessoas nutrem simpatia e admiração por ele.
Tenho de reconhecer, publicamente, que o nosso cabeça de lista foi uma agradável surpresa. Não tenho dúvidas que ganhámos um deputado para o distrito.
“Nos três [municípios do PS] onde não há lugar a recandidaturas, vamos jogar
com toda a força”
JN – Após a escolha de Francisco José Viegas para o Governo, acha natural que Adão Silva também seja chamado para outras funções?
JS – Quer um, quer o outro são pessoas com qualificações e experiência de vida e profissional, suficientes para serem membros do Governo. Acho que são duas pessoas que estão em excelentes condições de ajudar o distrito, tanto no Governo, como na Assembleia da República. Tudo farei, como presidente da Distrital, para aproveitar as qualidades de um e do outro, para os pôr a preparar as próximas autárquicas em vários concelhos, a mobilizar esses concelhos à volta dos temas em que eles são mais fortes.
JN – Aliás, na noite das eleições, Francisco José Viegas anunciou logo que o próximo passo é ganhar as Autárquicas…
JS – As Autárquicas dependem de muitos factores, nomeadamente, da credibilidade dos candidatos que se apresentem. Penso que está um bocado do trabalho feito, pois o PSD está implantado fortemente em todos os concelhos, mas falta a segunda parte e não podemos extrapolar o resultado das Legislativas automaticamente para as Autárquicas, porque haverá mais dificuldades e será difícil ganhar em todos os concelhos.
JN – Onde é que a vitória pode ser mais fácil? Em que concelhos?
JS – Teoricamente serão todos os seis concelhos onde o PS tem poder. Na actual legislação não há muitos candidatos, quer do PS quer do PSD, que sejam recandidatos. Tirando Vinhais, Miranda do Douro e Alfandega da Fé, há três municípios do PS onde os autarcas não se podem recandidatar. Freixo é o último mandato, tal como Moncorvo e Vila Flor. O PSD tem cinco que não podem,pois Carrazeda de Ansiães é o único com condições de recandidatura. Sem conhecer os candidatos alternativos do PS, esses seis municípios socialistas vão ser objecto de força para mudar, e nos três onde não há lugar a recandidaturas, vamos jogar com toda a força.
“Ou acabam essas lutas
e alguém cede, ou põe-se em causa a conquista da Câmara
de Bragança nas próximas
eleições autárquicas”
JN – Na questão das portagens na Auto-Estrada Transmontana, vai defender uma moratória de sete anos, tal como foi proposto por Francisco José Viegas durante a campanha?
JS – Penso que todas as Câmaras, quer do PS quer do PSD, percebem que deve haver uma moratória de sete ou oito anos que nos ponha em igualdade com as regiões que já têm auto-estradas há vários anos. E mesmo assim já não vamos compensar situações anteriores.
JN – Enquanto líder da distrital, como é que gere as divisões na Concelhia de Bragança? Sabemos que há dois blocos, um mais virado para Adão Silva e Paulo Xavier, e outro com Jorge Nunes…
JS – Sou presidente da Distrital e, portanto, estou mais preocupado com o distrito do que com as Concelhias, mas digo-lhe que no distrito não há divisões. Mesmo a facção que disputou as eleições da Comissão Política Distrital contra mim, presidida pelo Dr. Telmo Moreno, esqueceu por completo as divisões. Hoje temos todos um bom relacionamento e defendemos o mesmo interesse, que é o PSD ganhar. Mas sinto que em alguns locais, nomeadamente no concelho de Bragança, existem algumas divergências “funalizadas”. Quer isto dizer que são pessoas do partido umas contra as outras por causa de interesses comuns relacionados com a Câmara Municipal ou com o partido.
O que eu entendo é que, ou acabam essas lutas e alguém cede, ou põe-se em causa a conquista da Câmara de Bragança nas próximas eleições autárquicas. Têm de parar enquanto é tempo se querem ganhar a Câmara. E nós para ganhar a Câmara temos de engolir alguns sapos e acabar com essas divergências. O PSD tem demonstrado que onde esteve unido ganhou sempre e onde houve divisões perdeu sempre. Portanto, a capital de distrito só pode ser ganha se houver união. E se eu continuar a ser presidente da distrital, ou acabam as divisões ou toma-se uma medida, porque não se pode pôr em causa a vitória na Câmara de Bragança daqui a dois anos.