Fundo Florestal para salvar Ecolignum
A TecVinhais detém, agora, 48 por cento das participações da Ecolignum, tendo o seu proprietário, Nuno Costa Costa, uma quota particular de 3 por cento, somando uma participação na Ecolignum de 51 por cento, que lhe garante o controlo desta estrutura de transformação e valorização de madeiras.
Com um passivo na ordem dos 750 mil euros, do qual fazem parte dívidas à Segurança Social e às Finanças, a Ecolignum poderá, agora, ser viabilizada pela entrada em Vinhais do Fundo Floresta Atlântica, o primeiro fundo deste género em Portugal, que investe, essencialmente, em zonas desfavorecidas de montanha. No concelho de Vinhais, a Floresta Atlântica já fechou contratos com algumas Juntas de Freguesias para a gestão do património florestal, que abrangem uma área de cerca de mil hectares, mas o objectivo é arrendar ou adquirir terrenos até 5 mil hectares. “O negócio florestal só faz sentido se houver alguma economia de escala, portanto o que pretendemos é aumentar a área”, salienta o gestor do Fundo Floresta Atlântica, António Nora.
O Fundo prevê investir 2 milhões de euros nos próximos dois anos, mas o investimento poderá chegar aos 30 milhões de euros nos próximos 25 anos. Caso esta entidade consiga gerir uma área florestal considerável, também poderão ser criados 200 empregos nos próximos três anos. “Os postos de trabalho não são directos. São pessoas para plantar árvores, tractoristas, manobradores, mecânicos, operadores de máquinas, sapadores florestais”, explica António Nora.
O responsável salienta, ainda, que para o projecto ter sucesso é necessário o envolvimento de todos os agentes e garante que as Juntas de Freguesia e as Comissões de Baldios só têm a ganhar com a transferência da gestão do património florestal. “Ficam libertos da gestão florestal e da manutenção das áreas florestais, que passa a ser feita por equipas profissionais. Tanto a manutenção, como a vigilância e a prevenção de fogos é feita pela Floresta Atlântica”, acrescenta António Nora.
Juntas de Freguesia têm dificuldade em gerir os milhares de hectares de floresta
Esta medida agradou a muitos dos presidentes de Junta presentes na apresentação do projecto da Floresta Atlântica, que decorreu, na passada terça-feira, em Vinhais. O autarca de Rebordelo, Francisco Cunha, que já representou as Juntas na Ecolignum e é também o segundo representante das freguesias do concelho, acredita que é uma forma de rentabilizar muitas áreas que, actualmente, não têm o tratamento necessário. “Em Rebordelo temos pouca área florestal, mas entraremos em contacto com os agricultores. Também já estive a falar com algumas juntas, que concordaram arrendar a floresta”, garante o autarca.
Por sua vez, o sócio maioritário da Ecolignum, Nuno Costa Gomes, realça que há três instituições que ganham com a parceria com o Fundo Floresta Atlântica. “A Ecolignum poderia ter madeira a corte a médio e a longo prazo, com um planeamento florestal e com uma orientação comercial. As Juntas, que têm dificuldade em gerir os milhares de hectares de floresta, e o Fundo, que fica com uma área florestal concentrada que garante uma maior rentabilidade”, enumera o empresário.
Relativamente à Ecolignum, a funcionar há cerca de dois anos e meio, Nuno Costa Gomes justifica os problemas económico-financeiros com o facto de funcionar com um modelo governativo muito burocrático, que resultou na falta de liderança do processo. Agora a Floresta Atlântica, um fundo institucional com participações públicas e privadas, aparece como uma alternativa à viabilização da Ecolignum, visto que para o Fundo é mais vantajoso transformar as madeiras em Vinhais do que transportá-las para o litoral.