“Não podemos despedir gente”
P: Porque é que houve esta necessidade de alterar o sistema vigente no distrito de Bragança?
R: A saúde em Portugal tem passado por fortíssimos problemas de financiamento e de prestação de serviços e entendeu-se que seria mais adequado, nomeadamente para a região do Nordeste, constituir-se uma Unidade Local de Saúde (ULS). Vivemos numa região envelhecida, com fracas acessibilidades, com um baixo índice de habitabilidade e de pouco poder de compra, portanto faz algum sentido criar-se uma organização que ligue centros de saúde e hospitais, de maneira a prestar melhores cuidados de saúde aos nossos doentes.
Com a separação dos serviços o doente, e passando a expressão, andava como uma espécie de “bola de pingue-pongue” entre os cuidados primários e os hospitalares. Assim, não se oferece tantas condições como ter uma ULS, onde os serviços trabalham unicamente para o utente. Há uma integração total dos cuidados no sistema.
P: Até agora uma pessoa vai a um centro de saúde e o nível de cuidados e o processo dessa pessoa é completamente diferente e está inacessível quando precisar, por exemplo, de ir a uma urgência a um hospital…
R: Exactamente. O médico não tem acesso ao processo clínico electrónico do doente. É elementar ter toda a informação do doente. Isso só lhe facilita a vida.
A ULS defende um processo único para ter acesso à mesma informação. Tem de haver um processo centrado no utente. E nós queremos uma gestão única.
P: Como é que a ULS se vai processar no terreno? Ou seja, as pessoas continuam a ter os médicos de família nos centros de saúde, continuam a ir às urgências no hospital. E quanto aos meios de diagnóstico, podemos falar numa optimização dos serviços?
R: A ULS foi a forma mais racional que nós encontramos para responder a esta região. Quanto aos meios de diagnóstico esse é de facto um dos pontos importantes. O Centro Hospitalar, com os seus três laboratórios, tem capacidade para fazer grande parte desses exames. Mas isso só dependerá de quem estiver à frente da ULS. É tudo uma questão de liderança, de reorganização dos serviços, de dotá-los de capacidade técnica.
(versão completa na edição papel ou pdf do Jornal Nordeste)