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“Esta diocese foi-me dada como esposa”

“Esta diocese foi-me dada como esposa”
  • 2 de Agosto de 2011, 16:26

P: Já se habitou ao tratamento por Excelência Reverendíssima, D. José Cordeiro?
D. José Cordeiro: Vou-me habituando. À medida que as pessoas me chamam como tal, vou tomando consciência deste novo ministério, desta nova vocação, de uma missão que foi acolhida na fé e na alegria do serviço para este povo de Deus que vive neste Nordeste Transmontano, nesta Diocese de Bragança-Miranda.

P: Sente mais responsabilidade por ter sido nomeado Bispo tão jovem?
R: A responsabilidade aumenta mesmo nessa linha da idade. Tenho muito a aprender com os nossos bispos. Quando digo que foi um acto de confiança do Santo Padre, digo-o porque não é muito habitual nomear bispos com menos de 50 anos. Mas encaro esta nomeação com humildade.

P: Como e onde é que descobriu a sua vocação?
R: É difícil determinar o momento exacto. Certamente, aquando dos meus 16 anos, na altura da morte do meu pai, houve uma intensidade no chamamento e com a colaboração do reitor da altura, hoje o cónego Adelino Pais, foi fundamental a sua presença e o seu encaminhamento para o seminário maior, onde se tornou clara e definitiva esta opção de vida e de chamamento.

P: Já o disse publicamente que vem para ouvir primeiro e só depois mudar atendendo às necessidades…
R: A realidade é o que é. Há coisas que podem ser mudadas. Outras temos consciência que não. Tudo aquilo que tenha de ser mudado, sê-lo-á, mas não numa primeira fase. Não queremos mudar, por mudar, mas sim mudar para configurar para o essencial do Evangelho.

P: Por ser um bispo jovem, pode servir de inspiração para que as pessoas se aproximem da Igreja?
R: Tenho sentido uma atmosfera de esperança e entusiasmo. Aquilo que fizer é para sermos cada vez mais fiéis ao amor de Deus. E é para aí que quero conduzir. A idade pode ajudar. Mas eu quero ser um bispo para todas as realidades, com uma nova linguagem, com um novo vigor, sem deixar perder o que nos orienta.

P: Encontra uma Diocese, por um lado, conservadora, por outro, com uma juventude divorciada da Igreja?
R: Toda essa realidade vai ser um desafio. Não será uma dificuldade, mas sim uma oportunidade para encontrarmos novos paradigmas para enfrentar estes problemas antigos e novos.

P: Teme ser chamado para outras funções dentro de alguns anos?
R: Não penso nisso. Estou cá de todo o coração e é assim que me entrego. Esta Diocese foi-me dada como esposa.

Paulo Afonso

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