Burros e gaiteiros trazem turistas ao Planalto
O festival não é um evento massificado, mas atrai várias dezenas de pessoas, oriundas de todo o País, que procuram “ um evento diferente” para passar bons momentos em família, longe do” reboliço dos grandes centros urbanos”.
Miguel Nóvoa, um dos mentores da iniciativa, afirma que o festival se caracteriza pela sua itinerância, levando aspectos culturais às aldeias mais recônditas do interior nordestino. Por isso, o organizador defende que esta iniciativa deveria ser encarada de outra forma pelas entidades ligadas ao turismo e cultura na região.
O festival é organizado pela Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino (AEPGA), em parceria com a Associação Galandum Galundaina.
“Este festival é realizado há cerca de nove anos e, em média, atrai à região cerca de 300 participantes por edição, vindos de vários pontos do País, que interagem com a população local, numa salutar troca de experiências e vivências, acrescenta Miguel Nóvoa.
Os organizadores acreditam que este festival é “único”, porque junta a música tradicional às belezas naturais da região e, ao mesmo tempo, dá a conhecer uma raça asinina em vias de extinção.
“É um festival que a cada ano que passa cresce, por isso deveria ser olhado de outra forma, já que se trata de uma actividade que ajuda a promover a região turisticamente ”, acrescenta o membro da organização.
Organização terá que retirar
os artistas convidados
do programa, se não conseguir
apoios para organizar o evento
Por seu lado, Paulo Meirinhos, outro membro da organização, acredita que o evento ecoturístico tenha que voltar ao modelo original, ou seja, apostar um pouco nos dotes artísticos dos participantes, em detrimento de formações musicais que tragam alguma despesa.
Actualmente, existem na região do Planalto Mirandês cerca de 800 fêmeas em idade de reprodução, mas, como metade desses animais tem “idade avançada”, os dirigentes da AEPGA consideram que o número de burras ainda não é suficiente para assegurar a sobrevivência da espécie.
“O festival pretende, ainda, reavivar a memória do burro, que noutros tempos constituiu um dos meios de transporte mais utilizados na região e era usado pelos antigos gaiteiros a caminho de festas e romarias para fazerem ecoar mais tempo o som da gaita de foles por antigos caminhos e velhas estradas”, explica Paulo Meirinhos.
No decurso do evento houve, ainda, tempo para música tradicional oficinal e danças tradicionais de degustação de produtos da terra.