Não vieram de charter mas os chineses estão aqui
Foi mesmo num voo comercial que aterraram em Portugal no dia 20 e durante 12 dias estão no Nordeste Transmontano a fazer um estágio. O grupo, composto por 27 jogadores da selecção de sub-19 de Pequim, cinco treinadores, um médico e uma directora, assentou arraiais em Mirandela.
Li Hui, o treinador, lá vai explicando, num português abrasileirado, que pretendia preparar os seus jogadores para a Taça de Pequim daquele escalão. Por isso, escolheu Portugal, pois daqui conhecia um futebol forte, rápido e muito técnico. “Na televisão chinesa já vemos os jogos do campeonato espanhol e também do português, com o Benfica, o Sporting e o FC Porto. Os nossos jogadores jovens levantam-se de madrugada só para ver futebol”, conta o treinador que iniciou a sua carreira em 1993, com um estágio de cinco anos no Brasil e que encontrou no Nordeste Transmontano equipas fortes e competitivas para dar ritmo de jogo aos seus jogadores.
A vinda para Mirandela surgiu de uma amizade com dois treinadores chineses de ténis de mesa que há vários anos trabalham no CTM, o clube local. “Queriam vir para o Algarve ou para Lisboa, mas eu disse-lhes que o futebol é a norte. Então vieram para cá”, conta Isidro Borges, o presidente do CTM, que, juntamente com o Cachão e com a câmara mirandelense trataram de toda a logística.
Para já, e apesar de terem chegado às cinco da manhã de terça-feira, já fizeram vários jogos treino, com os juniores do Braga (2-2), com o Atlético de Macedo de Cavaleiros (derrota por 2-1), com o Grupo Desportivo de Bragança ( 5-1 para os transmontanos), empate em Moncorvo (1-1) e em Vinhais (2-2) e vitória com os juniores do Cachão (0-5). “Depois deste estágio, vai ser muito fácil jogar na China. Lá, o futebol é muito mais lento. Aqui não, há muito pressing, muitos passes, muita velocidade. É disso que eu gosto, como o Barcelona”, explica Li Hui, de sorriso aberto. Apesar dos 12 dias de estágio, um de folga incluído, serão 13 jogos, num autêntico regime militarista.
Os jogadores são quase todos estudantes. Sete deles pertencem ao Beijing Guan, a equipa treinada por Jaime Pacheco, um dos portugueses mais famosos por aqueles lados, a par de Ronaldo ou Mourinho. Todos fazem vida dentro do centro de treinos da Associação. Acordam às 6h00, tomam o pequeno-almoço até às 7h00. Aulas até ao meio-dia, antes de duas horas de descanso. Segue-se treino de 1h30, jantar, duas horas para estudo e cama. Assim, todos os dias, ao longo da semana. É que o futebol chinês tem de evoluir a todo o custo. “As pessoas estão apaixonadas pelo jogo, enchem estádios”, conta o técnico Li Hui.
António Gonçalves Rodrigues